Rio Grande do Sul registra primeiro óbito de criança por síndrome inflamatória associada ao coronavírus

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Doença pode ter manifestações tardias após a infecção, podendo ou não a criança ter apresentado sintomas respiratórios de Covid-19 

Síndrome deixa pais em alerta no Rio Grande do Sul – Crédito: Divulgação

A Secretaria da Saúde (SES) divulgou no boletim epidemiológico da Covid-19 desta semana o primeiro óbito ocorrido no Estado por Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). Trata-se de um menino de sete anos residente em Alto Feliz, na Serra. A doença está associada ao coronavírus, com manifestações tardias após a infecção, podendo ou não a criança ter apresentado sintomas respiratórios de Covid-19.

No Rio Grande do Sul, desde agosto, quando se iniciou a investigação dessa síndrome no país, foram confirmados 25 casos, dos quais 24 já tiveram a evolução de alta hospitalar. As idades variam de zero a 15 anos.

Características  

A doença é caracterizada por febre persistente acompanhada de sintomas que podem incluir gastrointestinais (dor abdominal), conjuntivite, exantema (manchas vermelhas na pele) e erupções cutâneas, entre outros. Os sintomas respiratórios não estão presentes em todos os casos.

O caso do menino de Alto Feliz começou com uma internação em 1º de janeiro, com quadro clínico inicialmente suspeito de apendicite. Contudo, exames descartaram essa e outras possíveis causas, tendo a comprovação para a SIM-P após exames de sangue específicos (que apontaram marcadores inflamatórios característicos), além de teste positivo para o coronavírus, mesmo sem nenhum sintoma respiratório prévio ou no momento na internação. A criança recebeu tratamento com imunoglobulina e precisou de internação em UTI, falecendo em 11 de janeiro.

Histórico 

Durante pico da pandemia da Covid-19 na Europa, em abril de 2020, houve alertas sobre a identificação de uma nova apresentação clínica em crianças, possivelmente associada à infecção pelo Sars-CoV-2 (vírus causador da Covid-19). Posteriormente, foi definida Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). Diante da emergência, em julho do ano passado, o Ministério da Saúde implantou o monitoramento nacional da ocorrência da SIM-P temporalmente associada à Covid-19.

Embora tenha o quadro clínico bastante similar à Síndrome de Kawasaki, a SIM-P geralmente ocorre em crianças mais velhas, com alterações evidentes dos marcadores inflamatórios e disfunção cardíaca. A maioria dos casos relatados apresentam exames laboratoriais que indicam infecção atual ou recente pelo Sars-CoV-2 (por biologia molecular ou sorologia) ou vínculo epidemiológico com caso confirmado para Covid-19.

Até a última atualização por parte do Ministério da Saúde (em 24 de outubro), já eram registrados 511 casos no país, com 35 óbitos entre eles.

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