Quatro contaminados no Inter. Não é o suficiente?

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Nesta semana, quatro atletas do Internacional testaram positivo para a covid-19. Os nomes não foram divulgados. Inacreditavelmente, há quem relativize. Há quem diga que isso “é normal”. No clube, as atividades seguiram de forma praticamente idêntica e o clube ainda torceu o nariz para as falas do Governador Eduardo Leite, que afirmou que não há previsão para o retorno do futebol. 

Confesso que o espanto já não é tão grande. Que a vontade de voltar ao futebol ultrapassou a racionalidade, já sei há tempos. O que me assusta é o apoio de muitos. 

Já disse aqui neste espaço incontáveis vezes: não é hora de pensar em retorno ao futebol. No Internacional, sei que todos os protocolos seguiram à risca determinações dos órgãos da área da saúde. O contágio dos atletas ocorreu fora do clube. E é isso que causa preocupação – e que irrita, pela falta de compreensão de alguns -, pois se esquece que o futebol não é uma ilha separada do restante do planeta. O atleta é um ser humano, como qualquer outro. Se em treinamentos apenas foram constatados quatro contagiados, imaginem o estrago que isso pode causar em um estádio. 

Um jogo não é composto apenas pelos atletas. Colaboradores do estádio, profissionais de imprensa, de segurança, de logística… Todos estarão lá. E todos estarão expostos. 

Sou extremamente rígido em relação a meu posicionamento: não acho que é hora de pensar em retorno de futebol. Existem outras prioridades. E o contágio está longe de uma queda em nosso Estado. “Ah, mas o Rio de Janeiro voltou”. Bom, eles que fiquem com a irresponsabilidade deles – o que, aliás, já foi tema desta coluna – e que arquem com as consequências. Nós não temos que seguir o exemplo.

A pressa em retornar com os jogos pode fazer com que a racionalidade seja totalmente jogada pra escanteio. Por sorte, até o momento, Eduardo Leite mantém a frieza e não se curva para a forte pressão que os apaixonados por futebol reproduzem diariamente (inclusive com colegas de imprensa). 

Já disse algumas vezes: teria todos os motivos para pedir o retorno dos jogos. Amo futebol. E sou impactado financeiramente com a falta das partidas. Mas não posso colocar a irresponsabilidade acima do bom senso. Não é o momento de loucura. Aguardemos! O futebol voltará, como tudo nesta vida. Mas quando for a hora certa.

Obrigado, João Valderi 

Não posso deixar de citar a tristeza que causa o falecimento do amigo João Valderi. Mais uma vítima da covid-19 neste país. Diretor do Jornal Canudos, João foi um ativista político de enorme importância para Novo Hamburgo. Mais do que isso: foi um querido amigo. O conheci em 2018, quando ingressei como estagiário na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. João me falou incontáveis vezes sobre um projeto de rádio que ele sonhava. Na última vez que o vi – aproximadamente 10 ou 15 dias antes do seu falecimento -, ele disse que que iria me chamar para almoçar e conversar sobre o projeto que contemplaria futebol amador e o Esporte Clube Novo Hamburgo. Infelizmente, esse almoço nunca será realizado. Mas o projeto, quem sabe? João merece essa homenagem. Obrigado meu amigo! Você fez muito por Novo Hamburgo! 

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