PAÍS – Taxa alta de juros impacta cotidiano da sociedade brasileira

Compartilhe:
Email this to someone
email
Share on Facebook
Facebook

Aumento gera impacto na inflação, no custo de financiamentos e na rentabilidade de investimentos  

Taxa básica de juros subiu após muito tempo – Crédito: Divulgação

Após seis anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou na quarta-feira (17) a taxa básica de juros da economia em 0,75 ponto percentual. Com o aumento da Selic, o BC espera que a inflação termine 2021 dentro da meta, de 3,75%. Os efeitos da alta dos juros, no entanto, vão além do alívio na pressão inflacionária. Para os brasileiros, a elevação do índice também gera impactos diretos em questões como no valor do crédito, no consumo da população, nos investimentos e em financiamentos imobiliários. 

Como fica mais caro investir, uma alta de juros impacta também a geração de empregos, de renda, além de uma elevação nas contas públicas, com multiplicador maior na dívida do país. 

Inflação  

O primeiro objetivo do BC ao aumentar os juros é tentar conter o avanço da inflação. Em geral, quando sobem os juros, é reduzido o estímulo à economia. Isso acontece porque financiamentos ficam mais caros e investimentos financeiros passam a render mais, por exemplo. Passa a ser mais vantajoso guardar do que rodar o dinheiro – e com menos demanda, os preços dos produtos tendem a cair, reduzindo a inflação. 

Durante a pandemia, uma porção de estímulos monetários foi concedida ao redor do mundo. Esse dinheiro despejado incentiva a população a gastar mais, gerando pressão natural na inflação pelo lado da demanda. No Brasil, isso ocorreu em parte com o Auxílio Emergencial, que estimulou o consumo internamente. 

Investimentos  

A taxa Selic é usada como referencial de rentabilidade nos investimentos. Quem possui títulos de renda fixa – como poupança, CDBs, LCIs LCAs e Tesouro Selic –, deve ter maiores ganhos com a alta da Selic. No caso da poupança, o rendimento mensal sobe de 0,12% para 0,16%, e a caderneta continua perdendo para a inflação. Em geral, aplicações em renda variável – caso de ações e fundos imobiliários – teriam efeito contrário e perderiam atratividade em tempos de alta de juros. Acontece que a Selic, mesmo a 2,75%, permanece em patamares muito baixos para o histórico brasileiro. 

Financiamentos e empréstimos  

Sempre que há aumento da taxa Selic, acontece também um reajuste completo nos juros cobradas em financiamentos e empréstimos. Mas, novamente: como o patamar de 2,75% ainda é considerado baixo pelo mercado, as flutuações não devem ser tão grandes. 

Cheque especial e cartão de crédito  

Os juros de empréstimos pessoais não mudam apenas quando o BC decide fazer ajustes na taxa Selic. Quem concede as linhas de crédito trabalha com expectativas. Dessa forma, as taxas vinham subindo nos últimos meses, apenas pela percepção do mercado de que a Selic subiria. 

Emprego e renda  

A alta dos juros tende a ter efeito negativo sobre a geração de empregos. Isso porque o crédito mais caro ‘esfria’ a economia: além de influenciar uma redução no consumo, também encarece o investimento das empresas. Se as vendas e a produção não crescem, as empresas, em geral, reduzem suas contratações.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *