ESTADO – Com novo método, pesquisa sobre coronavírus terá mais duas etapas

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Nona e décima etapas do Epicovid19-RS utilizarão testes que mantém sensibilidade acima de 90% para anticorpos da Covid-19 

Governador anunciou a retomada da pesquisa Epicovid19-RS durante uma transmissão ao vivo – Crédito: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

A pesquisa que busca estimar o número de pessoas que já contraíram o novo coronavírus no Rio Grande do Sul terá mais duas etapas, confirmou o governador Eduardo Leite em transmissão ao vivo nesta quinta-feira (28/1). A primeira será realizada entre 5 e 8 de fevereiro e traz um diferencial em relação às anteriores: a inclusão de um novo teste de anticorpos para a Covid-19, ao lado dos testes rápidos e entrevistas que já fazem parte dos procedimentos de coleta de dados do estudo.

A decisão de incluir o método de testagem desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) baseia-se numa maior precisão do exame para identificar a presença de anticorpos para a Covid-19, especialmente em casos de infecções mais antigas. Em um estudo comparativo realizado pelos pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o teste batizado de S-UFRJ apresentou alta sensibilidade e estabilidade – em torno de 92% – para detectar anticorpos mesmo após cinco meses da infecção, enquanto os testes rápidos, já utilizados nos estudos populacionais, mostraram quedas substanciais de sensibilidade para identificar anticorpos depois de três a quatro meses da infecção.

“Testes sorológicos, do tipo que detectam a presença de anticorpos no soro sanguíneo, são fundamentais em contextos de surtos de doenças infecciosas. Eles têm o potencial de identificar a real prevalência da infecção, permitindo que medidas como a taxa de mortalidade sejam calculadas com precisão e estratégias de enfrentamento da pandemia sejam tomadas com base em evidências”, explica a epidemiologista Mariângela Silveira, integrante da equipe de cientistas da UFPel que coordena a pesquisa.

Pesquisa 

O funcionamento da pesquisa segue o mesmo: entrevistadores coordenados pelo Instituto de Pesquisa e Opinião (IPO) visitam as casas de 4,5 mil famílias em nove cidades gaúchas (Canoas, Caxias do Sul, Ijuí, Pelotas, Passo Fundo, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Uruguaiana) para convidar os moradores a realizar os testes e responder a um breve questionário sobre ocorrência de sintomas e acesso a serviços de saúde.

Na prática, quase nada muda para quem participa da pesquisa. A partir de um único furo na ponta do dedo do participante, os entrevistadores coletam as amostras tanto para o teste rápido quanto para o novo. No caso do S-UFRJ, três gotas da amostra sanguínea são depositadas em sequência em uma fita de papel filtro. Após absorção e secagem (aproximadamente 15 minutos), o material é acondicionado em sacos plásticos vedáveis e encaminhado para análise pelo Laboratório de Vacinologia do Núcleo de Biotecnologia da UFPel. O tempo previsto para processamento dos resultados é de uma semana. Para o teste rápido, uma gota da amostra é colocada no aparelho do exame, que faz a leitura em aproximadamente 15 minutos. O participante conhece o resultado na hora.

Epicovid-19  

O Epicovid19, único estudo populacional sobre coronavírus no mundo a realizar oito fases de acompanhamentos com a população das mesmas cidades, é coordenado pela UFPel e pelo governo do Estado. O objetivo do estudo é estimar o percentual de gaúchos infectados pela Covid-19; avaliar a velocidade de expansão da infecção; fornecer indicadores precisos para cálculos da letalidade e determinar o percentual de infecções assintomáticas ou subclínicas. O estudo em andamento terá ainda mais uma etapa em abril.

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