COLUNA – Sai o técnico. Fica o ídolo

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“Se toda história tem início meio a fim, a nossa terminou assim”. Tal qual cantou a Imperatriz Leopoldinense em 2016, a história de Renato Portaluppi como técnico gremista se encerrou pela terceira vez. Desta vez, de forma um tanto quanto melancólica, já que Renato nem comandou o time na eliminação da Libertadores para o Del Valle. A dúvida que fica é: o que aconteceu para Renato se tornar tão contestado a ponto de ser desligado (ou se desligar) do comando técnico gremista?

Renato chegou para esta terceira passagem em um momento de absoluta pressão. Roger Machado foi demitido após insucesso na Libertadores daquele ano e estar patinando na Copa do Brasil e Brasileirão. Deixou um bom time montado, bem estruturado, mas que não conseguiu quebrar o jejum de títulos, que já era de mais de 15 anos naquele momento.

Renato chegou e, logo na estreia, conseguiu uma classificação improvável contra o bom time do Atlético Paranaense. Começava ali a mudar a história. Há quem diga que é neste dia que a gangorra GreNal vira. Ali, o Grêmio iniciava um dos ciclos mais vencedores de sua história e o Inter começava seu calvário que virou rebaixamento.

Ainda em 2016, Renato tirou o Grêmio da fila e levou o clube ao penta da Copa do Brasil. Um título com enorme simbologia. Pela quebra do tabu e por fazer o clube voltar a ter alma copeira, como há tempos já se questionava. 

Do embalado título da Copa do Brasil, veio a Libertadores de 2017. Há quem cutuque o Grêmio por ter enfrentado alguns clubes de baixa expressão. Mas o tricolor nada tem a ver com isso. Venceu com méritos, foi o melhor da competição. Colocou a faixa no peito. A derrota no mundial para o Real Madrid doeu, é verdade. Mas é absolutamente compreensível perder para um clube deste tamanho. 

2018 começou com Renato no auge. E ali começaram os problemas. Com o sucesso, Renato começou a pedir jogadores contestáveis. Contratou diversos atletas que não renderam o esperado. Exagerou nas apostas em suas convicções. E isso começou a causar desconfortos. Ainda em 2018, derrota pro River Plate na semifinal da Libertadores. 

2019 e 2020 tiveram quedas absurdas de rendimento. A mecânica de jogo foi descoberta. E Renato não conseguiu tirar mais do elenco. Vieram as vexatórias derrotas de 5×0 para o Flamengo e 4×1 para o Santos, além da perda do título da Copa do Brasil de 2020 com um futebol pífio contra o Palmeiras. Ali, a contestação já era forte.

Em 2021, ser desclassificado na pré-libertadores comprova que Renato chegou ao seu limite. Perdeu para suas próprias convicções. Se perdeu em seu gigantismo. E o desgaste já estava evidente. A saída, concretizada nesta quinta, apenas fecha o ciclo. Se bem que o ciclo, vencedor, é verdade, já havia se esgotado. 

Renato se consolidou como ídolo também na casamata e sai do Grêmio como um dos maiores técnicos de sua história. Saiu como ídolo. Com estátua. Porém, será bom para ele respirar novos ares. Quem sabe, das praias do Rio de Janeiro. E pro Grêmio a oxigenação se faz necessária. Com certeza, trará um novo ímpeto para 2021. A vida continua! 

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