COLUNA – Paulo Cesar Tinga, teu povo te ama!

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O que é ser um ídolo? A pergunta pode gerar uma série de respostas diferentes.

Edinho, volante com passagens pela dupla GreNal, esteve no noticiário esportivo após uma entrevista na última semana. Se dizia arrependido de uma declaração do passado. Bom, vamos recapitular os fatos: Edinho chegou ao Inter em 2003 e foi multicampeão pelo clube. Libertadores, Mundial, Recopa, Sul-Americana, Gauchões…  Saiu pela porta da frente. No mundo doido e redondo – como é – do futebol, voltou a Porto Alegre em 2014. Porém, para defender o Grêmio. Lá não conquistou títulos, mas esteve em campo no clássico vencido por 5×0 pelo Tricolor, em 2015. 

Logo após esta vitória, declarou que o 5×0 foi “sua maior conquista”. Tal declaração soou como um desrespeito ao Internacional, onde ele foi Campeão do Mundo. A torcida nunca o perdoou. E do Grêmio também não existe carinho, tampouco idolatria. Nas vezes em que voltou ao Beira-Rio após o fato, foi vaiado, sem piedade. Na Arena, foi tratado com indiferença. Hoje, cinco anos depois da entrevista em que disse a frase, falou que foi mal interpretado e pediu desculpas ao torcedor colorado. Porém, não colou. Nem mesmo os companheiros de Inter da época se posicionaram a favor de Edinho. 

São inúmeros os exemplos de atletas que atuaram por Grêmio e Inter. Ser ídolo nos dois clubes é para poucos. E qual a chave para isto? Pensei um pouco e percebi. O que vale é o respeito. E o maior exemplo disto tem nome e apelido: Paulo César Tinga. 

Colorado desde a infância, Tinga começou sua trajetória como jogador de futebol no lado azul da força. Foi vencedor. Ídolo da torcida. Brilhou nacionalmente e chegou à Seleção. Saiu em 2003. Após passagem pela Europa, voltou ao futebol brasileiro em 2005 para defender o Inter, seu clube de infância. Na sua chegada, foram inevitáveis os questionamentos sobre o passado tricolor. Com enorme elegância, Tinga sempre tratou o Grêmio e a torcida tricolor com imenso respeito. Jamais comparou suas passagens. Fez questão de agradecer em várias oportunidades por tudo que viveu no rival, mesmo do outro lado.  No Inter, ganhou duas Libertadores, viveu grandes momentos e se tornou ídolo, da mesma forma. E nunca perdeu o carinho da torcida do Grêmio. 

Em 2017, estive trabalhando em um Grêmio x Cruzeiro, na Arena. Tinga chegou ao estádio e foi aplaudido pela torcida tricolor. Mesmo com o passado mais recente ligado ao Internacional, recebeu o carinho de uma torcida que jamais o esqueceu e jamais o tratou mal. Pois sempre houve o entendimento e o respeito pelo que o Grêmio representou na vida de Tinga. Ídolo dos dois lados, o ex-volante jamais precisou comparar ou mesmo dizer que “foi mais feliz em tal lugar”. Viveu grandes momentos com as duas camisetas. E honrou ambas. Edinho – talvez – tenha abusado da sinceridade. Com certeza, Tinga guarda mais carinho por determinado momento. Porém, jamais externou isso. Mesmo como colorado assumido, sempre agradeceu ao Grêmio. E colhe os frutos até hoje. Edinho embarcou em uma euforia que deixou graves consequências. E nunca mais terá o mesmo carinho da torcida colorada. 

Saber se expressar é primordial. Ser um verdadeiro ídolo é uma tarefa para poucos. Tinga soube fazer isso. É exemplar neste aspecto. Nunca precisou de nenhuma frase de efeito. Virou ídolo jogando bola. Edinho, em 2015, estava longe de ser unanimidade no Grêmio e tentou “jogar pra torcida”. Porém, o tiro saiu pela culatra. Deveria ter observado um companheiro de elenco, já que estava no Inter em 2005 quando Tinga foi contratado. 

Aliás, todos deveriam observar este posicionamento de Tinga. Respeito é fundamental em tudo. Parafraseando o lema da escola de samba Estado Maior da Restinga, da Restinga, bairro da zona sul de Porto Alegre que empresta o apelido “Tinga” para um de seus mais nobres filhos, é impossível não dizer: “Tinga, teu povo te ama!”.

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