COLUNA – O calvário da constelação

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Normalmente, utilizo meu espaço de opinião para falar sobre a dupla GreNal. Porém, nesta semana, é impossível não comentar sobre mais um capítulo do calvário do Cruzeiro, de Belo Horizonte. Rebaixado à Série B ao final do Brasileirão 2019, o clube mineiro soube nesta semana que começará a campanha na segunda divisão nacional negativado em seis pontos devido à falta de repasse de valores na transação do volante Denílson, que chegou ao time celeste em 2016. Mais uma página de um livro de terror que parece não ter fim para os cruzeirenses. Porém, analisando tudo que envolve os últimos anos do Cruzeiro, fica compreensível que esta situação esteja tão grave.

Vale lembrarmos dos últimos anos. Em 2013, o clube foi campeão Brasileiro. Em 2014, veio o bi do Brasileirão. Em 2017 e 2018, o bicampeonato da Copa do Brasil. Elencos caríssimos. Contratações caras. Dinheiro esbanjado. Como no conto da cigarra e da formiga, o Cruzeiro se tornou uma cigarra do futebol nacional. Esbanjou e depois sentiu falta. Seguiu gastando, mesmo observando exemplos semelhantes, inclusive do seu maior rival – Atlético Mineiro – que foi rebaixado em 2005 após sucessivos anos de gastança desenfreada. Em 2016, o Internacional foi rebaixado com história semelhante. Gastos excessivos que resultaram em um elenco frágil e dívidas estupendas. O Colorado ainda sofre para se reconstruir. 

Porém, no caso do Cruzeiro, o problema é ainda mais assustador. A dívida do clube junto à FIFA ultrapassa os R$ 102 milhões. A punição de perder seis pontos na Série B do Campeonato Brasileiro por não ter pago a dívida de 850 mil euros (cerca de R$ 5,3 milhões) que tem com o Al Wahda, dos Emirados Árabes, pode ser o menor dos sofrimentos do Cruzeiro nos próximos meses. Se não forem quitadas, as outras dívidas podem representar a perda de mais pontos na disputa da segunda divisão, o rebaixamento para a Série C e também o impedimento que o clube registre atletas, por exemplo. 

E estes são apenas os números da dívida com a FIFA. Recentemente, o Cruzeiro divulgou seu balanço de 2019. O déficit é de impressionantes R$ 394 milhões. A dívida total é de incríveis R$ 803 milhões. Entre 2018 e 2019, a dívida total do clube mineiro aumentou em quase R$ 300 milhões. Tal situação levou o conselho deliberativo a decretar situação de calamidade financeira. 

Há quem fale até em falência. Porém juridicamente isto não é possível. Tecnicamente, o âmbito de incidência da falência e da recuperação judicial, regulamentado pela lei 11.101/05, aplicam-se somente a alguns tipos específicos de pessoa jurídica: empresário individual e sociedade empresária. Em estatuto, o Cruzeiro é denominado uma associação civil, sem fins lucrativos. Embora tenha atividades que exigem remuneração, sua finalidade não é o lucro. Logo, não pode ser decretada falência.

Porém, deixemos de lado o “juridiquês”, pois estou me aventurando em território desconhecido. É triste ver o que fizeram com o Cruzeiro. Clube com história. Camisa pesada. Torcida em todo o país. É lamentável um clube grande nesta situação. Fica o sentimento que tristeza, pois, mais uma vez, dirigentes incompetentes mancharam a história de um grande clube do nosso futebol. História repetida. Todos já sabem de cor. E de amnésia, dirigente não sofre. 

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