COLUNA – Irresponsabilidade na Cidade Maravilhosa

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Já disse várias vezes. Não é hora de pensar em futebol. Não é mesmo. A pandemia cresce mais a cada dia. A curva está longe de achatar. O brasileiro parece viver em um transe de falta de entendimento. Uma falta de noção. Ou burrice, simplesmente. Independente do adjetivo ou da frase explicativa, o que está certo é que estamos longe de uma compreensão da população em geral em relação ao que o mundo está vivendo. Não é férias. É isolamento social. Faltam leitos, faltam hospitais, falta estrutura. Falta de tudo. Por tudo isso, o momento é de evitar inúmeras coisas. E em meio a este cenário, o Rio de Janeiro volta a ter futebol. Parece lógico?

O Rio de Janeiro é o segundo estado mais crítico em relação ao estado de vítimas de covid-19. Segunda maior economia do país, o estado sofre com as dificuldades naturais da pandemia: falta de leitos, aumento de casos e dificuldade de controle. O governado Wilson Witzel apertou o cerco em vários momentos. O prefeito da capital, Marcelo Crivella, determinou uma série de situações. Porém, com os decretos atuais, uma volta do futebol no estado pôde ser pensada. Faltou o bom senso de não fazer isso. Por mais que seja sem torcida. 

A volta do Campeonato Carioca possui a óbvia influência do Flamengo. Melhor time do Brasil no momento, o rubro-negro, por meio de sua diretoria, fez pressão para o retorno, enquanto rivais – como Fluminense e Botafogo – sempre rechaçaram a ideia. Venceu a maioria, liderada pelo Fla

O presidente rubro-negro, Rodolfo Landim, é peça chave para entendermos como o futebol está voltando ao país. Ele foi o único presidente de clube convidado para a posse do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria. O presidente da república, Jair Bolsonaro, estava lá. E fez questão de cumprimentar pessoalmente o presidente responsável direto pela volta do futebol ao país (algo que Bolsonaro já havia declarado que poderia ocorrer).  O que é preciso saber é: qual a razão da pressa, presidente flameneguista? Contas em dia. Taças no armário. Momento mágico com a torcida. Qual a razão do atropelo pela volta do esporte? 

O Flamengo volta ao futebol no Maracanã. No interior do estádio existe um hospital de campanha lotado de pacientes com covid-19. Além disso, um profissional do Flamengo – o massagista Jorginho – foi vitimado pela doença, falecendo em um hospital na Ilha do Governador. Ah, e tem mais: após 296 testes, foram 38 casos positivos no clube. Inclusive, 9 jogadores. Tudo isso não sensibilizou Landim. Nem mesmo o aumento de casos na cidade. 

Entendo que o rubro-negro tenha diminuído seu planejamento de faturamento – estimava-se no início da temporada que o clube faturaria aproximadamente R$ 1 bilhão neste ano -, mas ainda assim o clube está em situação financeira confortável. Negociou a redução de 25% dos salários dos atletas e segue conseguindo manter patrocínios, apesar de estar em processo de mudança em relação ao patrocínio-master (centro da camiseta). Se a ideia do clube é retomar os jogos para faturar, não consigo ver lógica. Torcida não terá. Verbas de televisão já estavam em orçamento. Dificilmente o brasileiro assinará pacotes de pay per view, tendo em vista a situação financeira caótica no país. Logo, não vejo lógica nisso. 

Aliás, vejo qualquer coisa: ganância, arrogância, falta de empatia… Tudo. Menos lógica. Infelizmente, o glorioso período em campo fica ofuscado por uma tremenda bobagem da direção rubro-negra. Não estou eximindo de culpa o Vasco da Gama – que apoiou o Fla -, mas, nitidamente, o Flamengo encabeçou este processo. Que Deus proteja atletas, funcionários dos estádios e profissionais de imprensa. Pois todos participam de uma gigantesca irresponsabilidade desde a noite desta quinta-feira. 

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