COLUNA – E como fica o teu Corinthians, Tom Astral?

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Nesta semana, nenhum gol teve a mesma graça. Nenhum som teve o mesmo sentido. Não consigo nem mesmo sentir ânimo em escrever sobre futebol. Perdi um amigo. Perdi um irmão. Perdi um ídolo. Perdi, acima de tudo, um ser humano único, de coração enorme e de um talento como pouco se viu neste Estado e neste país. O laço preto que está no topo desta coluna é pela dificuldade em seguir a vida normalmente.

O maldito coronavírus nos levou Tom Astral. Músico completo, Tom se notabilizou como cantor e compositor em várias cidades da região do Vale do Sinos e em Porto Alegre. Brilhou intensamente com seu canto e seu cavaco em inúmeros locais. Com ele, aprendi a cantar e aprendi a afinar um cavaco. 

Filho de ex-jogador de futebol e criado em um mundo rodeado de bons de bola, Tom nunca sentiu o coração bater forte pelo tricolor do Grêmio, nem do alvirrubro do Internacional. Escolheu o preto e branco do Corinthians, de São Paulo. E isso foi motivo de muitas piadas – as minhas, inclusive – que falavam que ele era sofredor. Porém, acima de tudo, ele era um apaixonado pela cultura e pelo esporte. Tom era um profundo conhecedor da causa. Não escolheu o Corinthians à toa. Tenho várias críticas sobre algumas situações envolvendo diretoria e etc, mas não há como negar a veia e raiz que a massa Corinthiana possuem com o povo. Ser Gavião da Fiel é ser do povo, é ter os pés e mãos cravados na negritude. Talvez por isso que Tom escolheu ser corinthiano. 

Quando compôs o samba de 2012 do Império do Sol, sobre Alexandre Motta, jornalista da Record, colocou um “Corinthiano/Gavião” no meio do refrão. Claro, a referência era ao também torcedor do Corinthians, Motta. Mas poderia ser pra ele. 

Lembro de uma vez que disse que iria secar o time dele antes do confronto contra o Al-Ahly, pelo Mundial de 2012. A resposta dele foi: “Pode secar. A taça já é nossa, eu sou “curintia” irmão!”. E ele era mesmo. Naquela mesma semana, fui azucrinado com piadas no Facebook em um momento em que meme apenas engatinhava. 

Esse era Tom Astral. Brincalhão, talentoso, sorridente, extremamente inteligente e com profundo entendimento crítico. Perdemos um dos maiores nomes que já passaram por este Estado. Um nome que sempre ficará eternizado. 

Na quarta, quando narrei América/MG x Inter, pela Rádio Estação WEB, estava abalado. A voz sumiu em vários momentos, ainda afetado pelos rios derramados ao longo do dia em que Tom se foi. Ao final da transmissão, me obriguei a dedicar a narração do único gol do jogo – o de Yuri Alberto, do Inter – para Tom. Até brinquei: “Que pena que não foi um do Corinthians”. Mas ele sabe que o grito foi com emoção por ser em sua memória. 

Obrigado por tudo, meu irmão. Por me ensinar a cantar, a afinar um cavaco e por me incentivar na carreira de intérprete, lá em 2011. Fica tranquilo, Tom. Teu Corinthians ainda vai te dar muitas alegrias nos próximos anos. Assim como a tua Acadêmicos do Rio Branco e a tua Protegidos da Princesa Isabel. Vamos sempre “cantar e exaltar o seu legado”, como um dia você disse nos versos de um samba da nossa Protegidos. Cuida de nós aí de cima, meu irmão! 

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