COLUNA – “E aí, tá pronto?”

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Lembram quando a gente era criança e ficava cercando a mamãe no entorno do fogão? Em meio a fome que estava em nosso ventre, uma pergunta clássica surgia: “E aí mãe? Tá pronto?”. Tamanho era nosso apetite, queríamos o mais rápido possível aquele prato delicioso. E não tínhamos paciência para um processo básico e necessário: o cozimento.

Traçando uma analogia com o futebol, Miguel Angel Ramirez é o Chef Chico (sim, eu assistia Chiquititas!) do restaurante Colorado. Nos áureos tempos, aliás, existia a Churrascaria Saci, no entorno do Beira-Rio. Mas isso é outro papo. 

O comandante do restaurante colorado está em processo de produção. Separando alimentos. Combinando temperos. Procurando ver qual o melhor vinho para combinar com aquele prato principal. E, como qualquer profissional, o chef de cozinha também erra. Tenta uma, duas, três vezes ou mais acertar suas criações. 

Assinar um menu não é para qualquer um. Assinar a tática de um time de futebol é tão difícil quanto. E Ramirez segue combinando texturas e temperos visando a deixar sua receita nota 10.

Nas últimas semanas, aliás, o prato servido aos clientes recebeu elogios, de público e crítica. O time, que começou a temporada modorrento, começou a se soltar. Gols vieram. Boas atuações em sequência. Tropeços. Erros. Acertos. Tudo numa mesma mistura. E aí entra a nossa capacidade de ter paciência, conforme necessidade.

O carequinha espanhol não tem a menor culpa ou relação com os últimos anos de fracassos do Internacional. Isso é uma obviedade. O problema é que também estourou nele a ânsia e o apetite de um torcedor que da fome de títulos faz seu drama diário. 

A paciência é curta. Ainda mais que o antecessor Abel Braga fez um ótimo trabalho e, mesmo desacreditado, quase venceu o Brasileirão de forma absolutamente improvável. 

Claro que as derrotas assustam, ainda mais em competições de tiro curto, como a Libertadores. Porém, Ramirez precisa de tempo. E os erros ocorrerão. 

Como na churrascaria em que a picanha chega ao longo do rodízio, o torcedor colorado terá que se contentar com cortes de “meio de festa no início”. Ora vem uma maminha saborosa. Ora uma carne de pescoço. E a instabilidade é absolutamente natural. 

Não vá ao céu nem à Terra com rapidez. Goleada contra o Táchira não é sinônimo de que está tudo certo. Derrota para o Always da mesma forma, para o oposto. Tenha paciência, torcedor colorado. Cobre, mas lembre-se que é um churrasco que ainda está sendo temperado e nem foi para o fogo. Deixe o homem cozinhar. Ou melhor, treinar. 

Grêmio  

A Sul-Americana é o título dos sonhos? Não. Mas é título. O Grêmio precisa jogar com vontade de vencer. Estreou vencendo o La Equidad e pode seguir pontuando. 

Vale lembrar o que é óbvio: a taça no armário nunca é demais. Sendo uma competição que o tricolor não tem, então… Tiago Nunes já venceu a competição, conhece os atalhos. Que tenha sabedoria para fazer o Grêmio chegar lá. 

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