COLUNA – Cuca com peixe não se come em jejum

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O massacre sofrido pelo Grêmio contra o Santos pode ser explicado por alguns prismas. Claro, a superioridade do Santos na partida é óbvia e cristalina. Porém, além disso, a superioridade fora de campo também assusta. 

Cuca foi infinitamente superior a Renato. E aqui entra algo que sempre me incomodou no comandante gremista: a sua falta de leitura de jogo. Renato mantém suas convicções independente da circunstância e do adversário. E isso já possui claras amostragens que é um tiro no pé. No ano passado, um sonoro 5×0 sofrido diante do Flamengo que machuca até hoje. E contra o Santos foi ainda pior. Por mais que o placar não tenha sido elástico, a atuação do Grêmio foi ainda mais inferior. E uma goleada histórica só não ocorreu devido a qualidade técnica do Santos. Se o tricolor tivesse entrado em campo contra um Flamengo como aquele de 2019, por exemplo, teria levado 8×0 ou 9×0 nesta quarta-feira.

Ficar se escorando em cortinas de fumaça também não resolverá a clara dificuldade do Grêmio ontem. Levar um gol aos 11 segundos, obviamente, desmonta a estratégia. Porém, o 1×1 levaria o jogo aos pênaltis, por exemplo. O Grêmio poderia ter se acalmado e buscado soluções. Mas não fez isso.

Aliás, o Grêmio, mais uma vez, mostrou que é leão contra grandes mas vira gatinho em confrontos decisivos nos últimos anos (com exceção, talvez, dos GreNais e do jogo contra o Palmeiras na Libertadores 2019). Em 2020, mais uma vez, o time viveu um bom momento, cresceu de produção e chegou a iniciar uma sequência importante de vitórias e boas atuações. Porém, contra adversários frágeis ou inferiores. Pensemos juntos: quais grandes times o Grêmio venceu em 2020? Inter e Vasco, por exemplo, são grandes camisetas, históricas. Mas não são grandes times. No enfrentamento tetia-teti contra Flamengo, Atlético/MG, Palmeiras, São Paulo e agora o Santos, nada de triunfo tricolor. Será que fomos enganados pelo “melhor futebol do Brasil”, destacado por Renato?

Como diria mestre Ruy Carlos Ostermann, “não nos esqueçamos que o adversário possui méritos”. E o Santos, novamente, parece ter sido iluminado com uma geração incrivelmente talentosa. O solo sagrado da Vila Belmiro tem poder. Lucas Braga é uma revelação espetacular. Sandry dominou o meio-campo. Jhon é um goleiro seguro. E muitos outros jovens estão ali, no excelente modelo tático formado. 

O peixe de Cuca deu um banho no Grêmio. E Renato pagou – de novo – pela sua arrogância. Novamente foi batido e de novo não explicou nada após o revés. Ah, o discurso cansa, viu? O tricolor está em jejum de títulos grandes já. “Chegar”, como disse Renato, não adianta. É abrir o pacote e não comer o biscoito. De 2018 pra cá, só Gauchão existe na prateleira gremista. E para quem está em jejum, pelo visto, Cuca com peixe não descem redondo.

Até 2021! 

Obrigado a todos os leitores do Jornal RS pela parceria em mais um ano. Foi um ano complicado, de pandemia, de paradas no trabalho e na vida. Saio, nesta edição, para minhas férias e retorno a este espaço na metade de janeiro. Agradeço aqui a todos que acompanharam esta coluna neste ano. 

Agradeço também a minha família que sempre me acompanha: minha companheira Mariana, minhas filhas Maitê e Yumi, minha mãe Margarida, minha avó Odette e meu padrasto Geraldo. Sem eles, não seria mais um ano de êxito. Feliz Natal e um ótimo 2021 a todos! “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. 

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