COLUNA – Comemorar derrota é sinal de pequenez

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O Inter foi eliminado da Libertadores. Ponto. Essa é a notícia. É o fato. É algo que não se muda. Na letra fria, o Colorado perdeu nos pênaltis para o Boca Juniors e não joga mais a competição. 

Dito isto, podemos, obviamente, desmembrar a partida. O Inter foi melhor que o Boca Juniors. Venceu no tempo normal com absoluta justiça. Fez 1×0 e poderia ter vencido até mesmo por 2×0, já que Thiago Galhardo acertou o travessão ainda no primeiro tempo. A atuação surpreendente rendeu diversos elogios ao Colorado. Jogadores que outrora sofreram com críticas severas da torcida foram festejados pela atuação de quarta-feira, como Patrick, por exemplo, eleito o craque do jogo pela Conmebol. 

E os elogios são extremamente válidos. Não é fácil vencer o Boca em La Bombonera. Em nenhuma circunstância. O time argentino, independente de sua qualidade técnica, sempre transforma os jogos no estádios em decisões. Mesmo sem torcida, a atmosfera da Bombonera provoca sempre um ar de ansiedade aos que estão em campo. E mesmo com todo esse desfavorecimento, o Inter soube se impor em diversos momentos e conquistou seu triunfo de forma até absolutamente natural, com poucos sustos. 

Nos pênaltis, Lindoso e Peglow erraram. É da vida. A crítica é que Abel Braga poderia ter colocado D’Alessandro, por exemplo, para cobrar. Ao garoto Peglow, por exemplo, deve-se destacar a atuação. Sempre. É das categorias de base e possui um imenso potencial. Crucifica-lo seria um erro lamentável. 

Feitas todas as ressalvas e elogios adequados, é preciso criticar a postura de muitos dos torcedores colorados que parecem ter esquecido do tamanho do Inter. O colorado é Campeão do Mundo. Duas vezes campeão da América. Uma vez da Sul-Americana. Três do Brasileirão. Uma da Copa do Brasil. Tudo isso é de um gigantismo impressionante. Portanto, comemorar a vitória que de nada valeu é de uma mediocridade ímpar. Venceu, mas desclassificou. É para apenas comentar o jogo. Não comemorar. 

Ao ler alguns comentários, me fiz voltar no tempo e percebi que o Inter, senão se ‘ligar’ estará retrocedendo aos anos 90, quando uma campanha de 3º lugar no Brasileirão (1997) resultou em festa no Beira-Rio, tamanha a seca de títulos daquele período. 

Da mesma forma, o Inter precisa voltar a bater de frente com os grandes para vencer. Não somente para disputar. Vencer na Bombonera tem que ser comum para o colorado. Não motivo de se vangloriar, ainda mais em caso de uma vitória que só valeu para as estatísticas, mas que para taça no armário não rendeu nem o molde. 

Jogar bem é importante. Ter vencido o Boca na Bombonera é um feito. Porém, comemorar apenas a atuação e “quase ter vencido”, denota o quão estão apequenando o Internacional. O alvirrubro é gigante. E deve se comportar como tal. O trabalho de formiguinha que levou o Inter de um quase rebaixamento em 2002 ao título mundial em 2006, precisa, urgentemente, ser refeito. O clube precisa a voltar a perceber o seu patamar. Que é muito maior do que o de comemorar derrota. 

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