COLUNA – Campeão dentro de campo, patético fora dele – o contraste do Flamengo

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É complicado entender a diretoria do Flamengo. Em 2019, o rubro-negro carioca entrou pra história. Viveu um dos momentos mais sublimes que um clube pode atingir. Mágico dentro de campo, foi protagonista de partidas emblemáticas. Tudo perfeito. Torcida em êxtase. Craques no elenco. O clichê estava pronto: “só arrumará problema se tropeçar nas próprias pernas”. E não é que foi isso? Se dentro de campo as coisas seguem maravilhosas em 2020, fora dele já não se pode dizer o mesmo. 

Tropeçando em seu próprio gigantismo, o presidente Rodolfo Landim passou a contar com a antipatia de muitos, inclusive de sua própria torcida. Atitudes individualistas temperadas de doses cavalares de arrogância e contradição se tornaram a tônica da direção rubro-negra. A admiração segue dentro de campo. Mas o extracampo é conturbado. Talvez, não como em tempos de outrora nas bandas da Gávea. Mas, inegavelmente, um desconforto está ocorrendo. 

E o que chama a atenção é que Rodolfo não parece dar muita pelota pra essa antipatia. Acha que está “arrasando” como se diz na gíria. Nesta semana se envolveu indiretamente em um episódio ridículo. Após brigar para garantir direitos de transmissão para clubes mandantes das partidas, caiu em contradição ao afirmar que a final da Taça Rio entre Fluminense e Flamengo não tinha mando, sendo que o sorteio deu mando de campo ao tricolor das Laranjeiras. 

Pressionou, discutiu… Porém, disse não possuir envolvimento com a batalha jurídica que se estendeu por toda a quarta-feira e que quase culminou em um WO – o Fluminense ameaçou não entrar em campo caso o Flamengo transmitisse o jogo – num episódio absolutamente desnecessário e lamentável. Justiça seja feita: em nenhum momento o nome do Flamengo foi vinculado na batalha judicial que ocorreu horas antes do jogo. Mas, no jogo dos bastidores, se sabe que houve pressão. 

Landim já foi alvo de críticas por pressionar órgãos públicos visando o retorno do futebol. A retomada dos jogos no Rio de Janeiro teve no presidente rubro-negro um pilar fundamental. Mesmo que o Estado e a cidade capital fluminense estejam enfrentando diariamente um elevado índice de casos de covid-19. 

O Flamengo é – com folga – o melhor time do país. Tritura adversários em quase todos os confrontos. Mas as glórias e faixas no peito não justificam o comportamento de seu presidente. A cada dia que passa, a arrogância aumenta. Atitudes como a desta semana em relação a transmissão do Fla-Flu mostram que há apenas individualismo nas ações e que o discurso “para o bem do futebol” é, na verdade, para o “bem do Flamengo”. 

Não dá mais para aturar prepotência. Vencer em campo é excelente. Arranhar a imagem do clube fora das quatro linhas por conta de atitudes infantis é absurdo. Exemplos temos aos montes. Há quem torça o nariz para Vasco e Corinthians até hoje por conta de Eurico Miranda e Alberto Dualib. Que Landim não faça o mesmo com o Flamengo.

23 de Julho – vai voltar o Gauchão 

Desde o início do isolamento social, me posicionei contrário ao retorno do Campeonato Gaúcho. Não acho que seja prudente pensarmos em futebol neste momento. Porém, não posso brigar com fatos: o Gauchão vai voltar. Ao final da tarde desta quinta-feira (9), o presidente da FGF autorizou a retomada dos jogos em 23/07. E, na largada, tem clássico GreNal. 

Deixo aqui votos de sorte a todos que estarão envolvidos diretamente nos jogos. Eu trabalharei na cobertura narrando e reportando, mas à distância. Apenas deixo aqui um dado: a volta do campeonato foi liberada no mesmo dia em que o Rio Grande do Sul, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, registrou recorde no número de novos óbitos pela Covid-19. Será mesmo que é hora de voltar o futebol? Enfim… 

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