COLUNA – Baile regado a vinho

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Como diria Tim Maia: “Não adianta vir com guaraná. Pra mim é chocolate que eu quero beber”. Não há melhor descrição para a goleada do Internacional contra o SP do que um sonoro chocolate. Mas, se Tim Maia queria chocolate, Abel Braga, o mentor do momento histórico vivido em São Paulo, gosta mais do vinho. 

Aliás, o seu vinho foi motivo de chacota em momentos de insucessos do treinador recentemente. E Abel sentiu as críticas. Ficou mordido. Bom, há de se ter justiça em todas as análises: o currículo recente de Abel não era dos mais animadores. Trabalho fraco no Flamengo – com elenco senão idêntico com várias peças que brilharam com Jorge Jesus – fracasso retumbante no Cruzeiro, passagem apagada pelo Vasco. Os últimos trabalhos foram de um Abel abatido, sem ânimo. Claro, a perda do filho em 2017 ainda deixa marcas. É do ser humano. É algo que nunca irá cicatrizar. E isso pesou para que os trabalhos fossem ruins. 

O que fica de impressão é que Abel, que sempre foi de um estilo “paizão” com seus jogadores, também precisava de carinho. Por mais que tenha conquistado sucesso no Fluminense, seu clube xodó é o Inter. Sempre foi. Abel atingiu tamanha identificação que o coração colorado se entrelaça com o do técnico. O começo claudicante e as derrotas nas Copas, obviamente, foram dignas de críticas. Para muitos, Abel já estava acabado. Sua carreira parecia uma melancólica prorrogação. Porém, duvidar do amor é loucura até mesmo para os mais racionais. 

A relação entre Abel e Inter é um casamento. Com discussões, com brigas, é verdade. Mas um casamento forte. Construído com ternura. Com carinho. Uma rocha difícil de ser derrubada. E isso se mostrou ainda mais forte neste 2020. Abel pegou um colorado machucado, doído. Traído pela falta de ética de seu antigo técnico. E ele fez com que ressurgisse a esperança. 

O ponto alto, obviamente, é este 5×1 contra o São Paulo. Uma vitória maiúscula. Tranquila. E conquistada com méritos de Abel. Contra um time machucado e abalado psicologicamente, Abel foi perfeito. Marcação alta, pegada em todos os minutos. Um 2×0 conquistado em 20 minutos. Três gols em poucos minutos no segundo tempo surgidos de pressão e marcação alta. Tudo graças a estratégia de Abel. Se Fernando Diniz ficou perdido, é outra discussão. Mas o Inter soube o que fazer com a sua própria qualidade e com os defeitos do adversário. Vitória gigantesca. Com o selo de um técnico que das cinzas renasce para sonhar com um título Brasileiro. O único que falta na prateleira de Abel com o Inter e que ele ainda guarda com tristeza por ter perdido para o Bahia em 1988. 

Que Abel tenha sabedoria nos próximos capítulos. Mas, até lá, que ele aproveite seu vinho. O baile ele já organizou. 

GreNal 

Domingo é dia de GreNal. Mais um decisivo. Para o Inter, mais um passo na busca pelo título. Para o Grêmio a manutenção da invencibilidade nos clássicos – e no próprio Brasileirão 2020 – em disputa. Será um clássico nervoso. E, coincidentemente, pela primeira vez Abel e Renato em casamatas opostas. Que vença o melhor. 

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