Comissão ouve Hospital Regina sobre atendimento de pacientes com câncer

Casa de saúde ratificou que prestação dos serviços ocorre com déficit e garantiu que buscou manter atendimentos 

Ainda buscando resolver o impasse causado pela transferência do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com câncer, do Hospital Regina para o Hospital Bom Jesus de Taquara, a Comissão Especial de Acompanhamento da Referência Oncológica do SUS do Legislativo de Novo Hamburgo chamou representantes do Hospital Regina para reunião nesta segunda-feira (2), no Plenarinho da Câmara Municipal. 

O encontro teve como objetivo principal ouvir os esclarecimentos trazidos pela diretora-executiva do Hospital Regina, Gisele Albani, e do advogado da congregação, Fábio Kinsel, sobre os motivos que levaram à não renovação do contrato e como se deram as negociações com o Executivo e a transferência dos pacientes. 

Gisele disse que a casa de saúde hamburguense buscou a permanência do atendimento. “Desde 2014, estamos em negociação com o Executivo. Trabalhamos por anos com um volume muito maior do que está estipulado em contrato e é o próprio Município que sinaliza à instituição quantos atendimentos podemos realizar por mês. Temos 184 autorizações de internações hospitalares, mas internamos muito mais que isso. Dizer que o Regina fecha as portas não é verdade. Existe um recurso, um teto físico e financeiro. Mesmo assim não medimos esforços, mas chega um momento que não dá mais para suportar”, explicou Gisele.

Segundo a diretora do Regina, o contrato prevê o repasse de R$ 276 mil mensais, mas para a realização dos 5.285 procedimentos são gastos R$ 416.777,40. O Sistema Único de Saúde prevê R$ 1.500,00 por cada internação hospitalar. “Nós não recebemos essa diferença”, alertou Gisele. 

Gisele destacou, ainda, que foi o Estado que definiu a troca do hospital referência, no dia 7 de dezembro. O início do processo de transição de todos os pacientes em tratamento para Taquara começou já no dia 8.

Ações – O presidente da Comissão Especial, Enio Brizola (PT), defendeu que a prefeita Fátima Daudt precisa liderar a iniciativa de buscar soluções junto ao Governo do Estado para a retomada dos serviços oncológicos públicos em Novo Hamburgo. “A Assembleia Legislativa precisa estar junto nessa construção, chamando à responsabilidade o governo federal. “Todos juntos lutando pelos pacientes oncológicos da cidade de Novo Hamburgo”, disse.

Câmara reivindica revisão da transferência 

Além de reunião da comissão especial, os parlamentares também aprovaram por unanimidade moção de apelo ao Ministério da Saúde pela revisão da decisão, que transferiu o atendimento para o município de Taquara.

Autor do documento, o vereador Gustavo Finck (PP) pede que o órgão reavalie o pedido de repactuação de valores pleiteado pelo hospital desde 2015. “Não podemos tratar vidas como mercadorias. Não importa o valor do serviço, mas sim a qualidade de vida das pessoas”, argumenta o progressista.

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