Em livro, geriatra orienta familiares no enfrentamento ao Alzheimer

Desinformação e complexidade dos cuidados afetam estresse e depressão em membros da família

O médico geriatra Leandro Minozzo, professor do curso de Medicina da Universidade Feevale, lançou no último sábado (23) seu sexto livro, Como Cuidar de um Familiar com Alzheimer e não Adoecer, editado pela Sulina. A sessão de autógrafos ocorreu no Cine Grand Café do Shopping Nova Olaria, em Porto Alegre. 

Segundo Minozzo, a falta de informação adequada e a complexidade dos cuidados necessários no tratamento da doença explicam o grande número de familiares que entram em estresse grave ou mesmo depressão ao enfrentar um caso de Alzheimer.

“O livro surgiu da necessidade de dar um suporte maior para os cuidadores familiares, que costumam sofrer em silêncio. É meu dia a dia acolher essas famílias e me angustia muito testemunhar esse sofrimento”, afirma. 

Especialista no tratamento da doença, Minozzo tem participado de discussões, em âmbito municipal, estadual e nacional, para a materialização de políticas públicas de enfrentamento do Alzheimer no Brasil e de outros problemas acarretados pela doença.

O médico geriatra é autor de outros cinco livros dedicados ao enfrentamento do Alzheimer e ao bem-estar na terceira idade: Um Novo Envelhecer: Tempo de ser Feliz (2013); Doença de Alzheimer: Como se Prevenir (2013); Em Busca do Sentido da Vida na Terceira Idade (2014); O Estresse do Cuidador de Pessoas com Alzheimer (2015); e Como Enfrentar o Alzheimer e Outras Demências (2019).

Quais as principais orientações para as famílias que têm pacientes de Alzheimer?

Um caso de Alzheimer na família é um imprevisto, uma surpresa muito grande. É normal que se leve um tempo para aceitar a ideia e tomar atitudes que ajudarão a todos envolvidos. As famílias precisam buscar ajuda e muita informação de qualidade nesse momento. Deixar de lado algumas dificuldades anteriores, como brigas, e ter bem claro quais são os objetivos: cuidar da melhor maneira possível e evitar ao máximo o adoecimento dos cuidadores. 

A família pode auxiliar o paciente sem ajuda de um profissional? Ou é recomendável contratar um cuidador?

A família pode cuidar sem ter um cuidador profissional, porém sem a orientação de um médico é impossível. Os cuidadores profissionais são uma excelente opção quando a doença avança para os estágios moderado e avançado, quando a dependência aumenta bastante; eles são uma alternativa para evitar a institucionalização em lares geriátricos ou para poupar o cuidador familiar. Muitas vezes, os cuidadores profissionais ajudam tanto que a vida do idoso com Alzheimer chega a melhorar, com mais atividades, caminhadas, etc. 

Avanços na medicina garantem uma vida mais confortável ao paciente de Alzheimer?

Sim. A medicina tem avançado muito no cuidado de famílias com Alzheimer. Ainda estamos distantes de uma cura, mas temos recursos para diminuir as alterações psicológicas e comportamentais e tentar estabilizar um pouco o declínio cognitivo. Eu acredito muito no método de cuidado que criei que se chama Gestão do Cuidado em Alzheimer. Há muitas evidências de que a educação dos familiares e uma organização possibilitam o cuidado com mais qualidade e que os cuidadores familiares não adoeçam. 

Que sintomas devem ser observados que podem sinalizar para a doença futuramente? O diagnóstico precoce auxilia no tratamento?

É fundamental sabermos que esquecimento não é algo normal em idosos. A gente precisa sempre ficar atento, em especial quando há piora gradual, erros graves e abandono de atividades que o idoso antes realizava tranquilamente. O diagnóstico em tempo correto é muito importante porque possibilita que os tratamentos e as mudanças sejam já iniciados. Um aspecto importante é proteger essa pessoa dos riscos, como golpes financeiros e violências.

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