Emprego avança, mas mão de obra ainda é escassa

Setor calçadista segue contratando; porém, qualificação ainda é entrave para índices melhores 

A falta de mão de obra qualificada no mercado de trabalho da região segue sendo um entrave para um crescimento ainda maior dos índices de emprego. Ainda que o setor calçadista siga mantendo a tendência de recuperação desde o ano passado e tenha gerado 1,94 mil vagas no Estado – principal empregador do setor no Brasil – em janeiro, e cidades como Novo Hamburgo e Campo Bom batam recordes nos níveis de empregabilidade, segundo o Ministério do Trabalho e Previdência, a percepção de lideranças setoriais e políticas é de que são necessárias ações para incrementar a oferta da força de trabalho.

Empregando quase 30% da mão de obra brasileira no setor, as fábricas gaúchas empregavam diretamente, no final de janeiro, 77,87 mil pessoas, 7,5% mais do que no ano passado. O resultado positivo na geração de vagas é reflexo direto aos estímulos das demandas interna e internacional, conforme avalia o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira. “O emprego é o melhor indicador de retomada na demanda”, diz.

Porém, a percepção do dirigente setorial é de que a qualificação da mão de obra é fundamental não somente para o setor calçadista, mas para todos os segmentos da indústria”. “Sabemos que nas comunidades da cidade já existem carros de som anunciando vagas, o que há um bom tempo não ocorria. Existe uma certa dificuldade nas contratações”, observa. Segundo Ferreira, a Abicalçados trabalha em sinergia com o Serviço Nacional da Indústria (Senai) e com sindicatos das indústrias de calçados “de forma a amainar a questão”.

Investimento em capacitação

A Calçados Bibi, de Parobé, que contratou profissionais no início do ano e planeja mais contratações até o início do próximo semestre, percebe a falta de trabalhadores com qualificação no mercado de trabalho. “Há uma demanda por novos colaboradores para atuarem no setor calçadista, mas também existe a percepção de que, em algumas situações, falta mão-de-obra qualificada”, diz a presidente da empresa, Andrea Kohlrausch.

Para contornar a situação, a empresa incrementa o investimento em capacitação das lideranças e equipes por meio de programas desenvolvidos in company. “Mantemos há anos duas escolas técnicas da Bibi para jovens aprendizes em parceria com o Senai, nos parques fabris de Parobé e em Cruz das Almas, na Bahia. Criado em 2021, o projeto se chama Fábrica de Talentos e já formou mais de 580 alunos. Além disso, há também mais investimentos em novas tecnologias que facilitam e apoiam a aprendizagem do profissional na produção, não dependendo somente da qualificação manual e pessoal”, explica Andrea.

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