Perdas financeiras com a estiagem gaúcha podem alcançar R$ 19,77 bilhões

Segundo estudo da FecoAgro/RS, impacto na soja chega a R$ 14,36 bilhões e, no milho, R$ 5,41 bilhões

Estado – As perdas financeiras no Valor Bruto da Produção (VBP) nas culturas da soja e do milho devido à estiagem que atinge o Rio Grande do Sul podem ultrapassar os R$ 19,77 bilhões. A estimativa é de levantamento realizado pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do RS (FecoAgro/RS), considerando os números divulgados até o momento.

Na soja, o impacto sentido chega a R$ 14,36 bilhões em valores que os produtores deixarão de comercializar. No milho, este valor é de R$ 5,41 bilhões nas perdas financeiras com a cultura no Rio Grande do Sul. A metodologia de cálculo considerou a expectativa inicial de produção do IBGE e foi aplicado o percentual de perdas divulgado pela Rede Técnica Cooperativa (RTC) e pela FecoAgro/RS, considerando o preço médio recebido pelo produtor nos primeiros dias de janeiro de 2022.

Na semana passada, a FecoAgro/RS divulgou dados da RTC mostrando que a quebra de safra no milho sequeiro estava em 59,2% enquanto no irrigado era de 13,5%. Já na soja este montante de perdas era de 24%. A produção inicial estimada pelo IBGE, contabilizada nos cálculos, era de 20,95 milhões de toneladas na soja e 6,09 milhões de toneladas no milho.

O impacto da estiagem pode ser percebido também no rebanho bovino. O presidente da Comissão de Relacionamentos Institucionais e Comerciais do Instituto Desenvolve Pecuária, João Gaspar de Almeida, cita o prejuízo nas lavouras que, em muitos casos, são implementadas para também auxiliar no reforço à alimentação animal – em especial o milho, que é a cultura que mais sofre com a seca no Rio Grande do Sul. 

Há relatos também de dificuldades no crescimento das pastagens de verão, o que compromete a alimentação do gado. “Nas pastagens cultivadas de verão o nascimento foi de 25% e as folhas já estão ressecadas. A situação é dramática”, observa Almeida.

Rebanho sofre com perda de peso 
Redução da oferta e da qualidade nutricional do pasto afeta ganho de peso dos animais (Divulgação)

Os pecuaristas também têm sentido os efeitos da severa estiagem que domina o Estado. Em consulta realizada junto a seus associados em diversas regiões do Estado, o Instituto Desenvolve Pecuária constatou que a falta de água e o calor acima do normal vêm afetando o pasto para os animais, o que também reflete na produção da pecuária de corte.

A diminuição da oferta e principalmente a qualidade nutricional do pasto faz com que os animais, especialmente os mais jovens, apresentam redução do ganho de peso projetado para o período e, em alguns casos mais severos, os animais já apresentam perda de peso. 

Nesta época também ocorre a estação reprodutiva de muitas propriedades no RS, e, com a redução do escore corporal das vacas, o desempenho reprodutivo pode ser prejudicado, bem como o desenvolvimento dos terneiros que as vacas estão amamentando. Com isso é necessário aumentar o manejo de desmame precoce com suplementação e em alguns casos antecipar a comercialização dos bezerros, pois as fêmeas não conseguem se manter e amamentar.

Algumas regiões relatam que os potreiros com a água de bebida para os animais estão restritos, tendo que adequar lotações e até mesmo, em algum caso, trocar os animais de piquetes, pois mananciais naturais hoje estão muito mais fracos. “O quadro é geral, o que se observa é que, com exceção de algumas poucas localidades em alguns municípios que tiveram chuvas há 15 dias e recuperaram uma condição mínima de trabalho, o quadro apresenta um problema de falta de água para os animais, pois as aguadas naturais estão todas secas”, destaca o presidente da Comissão de Relacionamentos Institucionais e Comerciais do Instituto, João Gaspar de Almeida.

Os produtores também abordaram a escassez de água para consumo humano em algumas localidades, pois em muitas propriedades rurais o fornecimento ocorre por meio de poços artesianos comunitários, que têm apresentado vazão de água cada vez menores.

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