PAÍS – Pacientes renais ganham em qualidade de vida graças a nova tecnologia

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, um em cada dez brasileiros sofre com alguma disfunção renal 

A doença renal surge de forma discreta, com pouco ou nenhum sintoma, e boa parte dos pacientes só descobre quando o problema já está em estágio avançado, com poucas chances de salvar a função dos rins. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), um em cada dez brasileiros sofre com alguma disfunção renal, entre elas cálculos, infecções, cistos, tumores, e a chamada insuficiência renal, caracterizada pela perda da função renal ou doença renal crônica.

Dados da SBN de 2020 mostram que 133 mil pessoas dependem de diálise no Brasil, número que cresceu 100% nos últimos dez anos. O tratamento é um aliado essencial na busca por mais qualidade de vida aos pacientes que aguardam por um transplante. Nesse processo, o avanço da medicina e o investimento em tecnologias têm possibilitado tratamentos mais seguros e individualizados. É o caso da Hemodiafiltração de alto volume (HDF), uma das terapias renais mais modernas e eficazes da atualidade. O método, disponibilizado pelo Centro de Prevenção e Tratamento das Doenças Renais, possibilita a filtragem de um volume maior de toxinas do sangue.

A médica Nefrologista e Diretora do Centro, Liriane Cumerlato, explica que a hemodiafiltração possui uma série de benefícios. “Essa terapia retira do sangue substâncias que não são filtradas na diálise convencional, o que promove resultados muito satisfatórios no tratamento. Estudos científicos demonstram que essa eficácia proporciona um aumento da sobrevida dos pacientes e significativa melhora da qualidade de vida”, reforça. 

Da indisposição à uma vida mais ativa 

Quem passou pela hemodiálise convencional por muitos anos, consegue perceber os benefícios que a evolução da tecnologia proporciona na qualidade de vida. É o caso do paciente Sebastião de Resendes, 57 anos, que há mais de 20 anos convive com a doença renal crônica. Neste período, foram dois transplantes de rins e muitas sessões de hemodiálise. “Foram cinco anos de diálise antes do primeiro transplante. Na época que iniciei, as máquinas eram grandes, tinham um tanque cheio de água próximo e nos deixavam muito mal”, lembra o paciente. 

Após sete anos do primeiro transplante, o órgão implantado em Sebastião começou a perder novamente a função renal, o que fez com que ele retornasse para a terapia dialítica até o segundo transplante, realizado em menos de um ano após a retomada do tratamento. Desta vez, foram quase oito anos apenas de acompanhamento, quando o rim começou novamente a apresentar alterações, o que fez com que ele voltasse a frequentar as sessões de hemodiálise. “Nessa época a tecnologia já era outra e as máquinas mais modernas. Fiquei quase cinco anos realizando a hemodiálise no aparelho convencional, até iniciar na hemodiafiltração”, observa. 

Sebastião foi um dos primeiros pacientes a serem direcionados para a nova terapia após a aquisição, que completou um ano em outubro. Desde então, vê sua qualidade de vida transformada. “No primeiro dia que realizei a diálise na HDF já senti uma enorme diferença. O equipamento anterior me deixava muito debilitado. Agora, nesta nova, não sinto nada, saio muito bem, eu mesmo venho e volto dirigindo. Até brinquei com as técnicas que parecia que não tinha feito nenhum tratamento na primeira vez, mas a eficácia continua”, comemora. 

Hemodiálise 

A hemodiálise é a principal terapia para evitar a progressão da perda da função renal e tem como objetivo realizar a filtração do sangue quando os rins não estão funcionando corretamente, promovendo a eliminação do excesso de toxinas e líquidos. Porém, alguns pacientes podem ser mais impactados com os  efeitos colaterais, que são acompanhados de perto pelos profissionais. 

A hemodiafiltração surgiu como uma tecnologia mais avançada, que além de ser mais eficaz, gera menos efeitos colaterais e uma melhor qualidade de vida dos doentes renais. Ela possui uma série de benefícios, pois retira do sangue substâncias que não são filtradas na diálise convencional, o que promove um resultados muito satisfatórios no tratamento. Conforme a Enfermeira Responsável Técnica Karine da Silva, assim como na hemodiálise, o tratamento de hemodiafiltração pode ser feito de três a seis vezes por semana, de acordo com a necessidade. “É preciso atentar-se que nem todos os pacientes possuem indicação para essa terapia, ficando a cargo do médico nefrologista decidir o melhor método dialítico de acordo com a necessidade de cada um”, reforça. 

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