COLUNA – Big-Bang sem mocinho

Já está chata a história das liminares que ora autorizam, ora desautorizam a retomada do público no futebol. O Flamengo bateu o pé e colocou torcida no Maracanã para duelo contra o Grêmio pela Copa do Brasil. O tricolor, que ameaçou não entrar em campo nesta partida, acabou entrando no gramado já sabendo que no RS também terá liberação de público. Ou seja, a salada de frutas no mapa nacional está instaurada. 

Obviamente, não há verdade absoluta neste cenário. O Flamengo possuía uma liminar na justiça que concede o direito de ter público nos jogos. Enquanto ela estava vigorando, o clube tinha total razão em mandar seus jogos com torcida. Na madrugada desta quinta, a liminar foi derrubada. Por outro lado, torcedores de outros clubes torcem o nariz pela tão falada “quebra de isonomia”, já que alguns clubes seriam beneficiados com estádio “cheio” contra adversários que seguem com portões fechados. 

Neste contexto, lhes digo: não há mocinho neste bang-bang. Cada um quer defender o seu. E a vida é assim. A coletividade importa até o momento em que a minha facilidade seja prejudicada. 

E é exatamente por isso que não acredito na tal Liga que tanto falam. Na hora da onça beber água, a coletividade irá pras cucuias. Como em tantos outros momentos do futebol brasileiro. E aí, prevalece a lei de sempre: o mais forte  que esteja bem. O mais fraco que lute. 

Foi assim na criação do Clube dos 13, quando Guarani e América do RJ – vice e quarto do Brasileirão 86 – não foram nem cogitados na Copa União 87. Foi assim na João Havelange de 2000, quando o Fluminense ganhou de presente uma vaga na Série A quando deveria disputar a Série B do ano 2000. 

Já vi o futebol brasileiro perder muito por essas picuinhas. Já vi clubes pequenos serem amassados pela força do dinheiro e o critério técnico ser apenas uma expressão bonita, mas longe de ser respeitada em diversas decisões. 

Sei que cada torcedor pode dizer que está com saudade de voltar ao estádio. Porém, penso que em 2021, tudo deveria ser pensado de forma que ninguém se prejudique. O primeiro turno do Brasileirão foi todo sem torcida. O segundo, com torcida, não trará benefícios aos mandantes desta segunda perna de Campeonato? Pra mim, sim. Uma clara vantagem. E não me digam que a torcida não entra em campo. Já vi jogos serem virados por força de torcedor. 

O Flamengo, como sempre faz, mostrou sua força e deu de ombros para a opinião dos outros clubes do futebol brasileiro. Volto a dizer o que falei antes: não julgo. Cada um sabe de seus interesses. E não vamos ser hipócritas. A imensa e notória maioria dos clubes faria o mesmo, se pudesse e se tivesse a força de bastidores que o clube carioca possui. Cada um à sua esfera, age desta forma. Ou a dupla GreNal, que tanto reclama de ser subtraída a nível nacional, não patrola os menores da Província de São Pedro? 

É muito chiado e pouca verdade. Nesta novela, todos são vilões. E os que não foram, ainda serão. O futebol é assim. 

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