Estância Velha completa 62 anos de emancipação

Município travou luta pela independência até o final da década de 1950  

“Salve, salve Estância Velha/Do couro a capital/Nascida de antigas fazendas/De ouro e de lendas, de um ideal”. Os versos descritos abrem a letra do hino de Estância Velha. Localizado na região metropolitana de Porto Alegre e pertencente a bacia hidrográfica do Rio dos Sinos, o município completa 62 anos de emancipação na próxima terça-feira, 8 de setembro. Segundo o último levantamento IBGE (2018) Estância Velha possui pouco mais de 49 mil habitantes e se destaca na região como uma cidade que se tornou uma nova opção para quem busca um lar. 

Nos últimos anos, a cidade deixou para trás a fama de “município dormitório”, conforme opinião de Jaderson Flores, residente há 27 anos do bairro União. “Antigamente, a maioria dos estancienses precisava ir trabalhar em outra cidade. Basicamente, éramos um município dormitório. Do final dos anos 90 pra cá, a economia passou a se fortalecer e hoje temos um emprego forte e uma região próspera economicamente”, frisa. 

Fazendo coro em relação a evolução de Estância nos últimos anos, Cristine Lopes, moradora do Rincão dos Ilhéus, destaca a tranquilidade e as possibilidades na cidade. “Hoje, temos tudo aqui. É um município completo. Apesar de sermos interior, conseguimos crescer e, desde o início da década de 2000, somos uma alternativa para quem busca uma cidade mais tranquila, mas, que ao mesmo tempo, possui tudo de uma das grandes. Isso torna Estância ainda mais especial”, pontua. 

Neste ano, devido a pandemia, as comemorações pelo aniversário serão discretas. A prefeitura deve anunciar ao longo do final da semana quais serão as homenagens realizadas. 

O nome 

O nome Estância Velha originou-se da localização do povoado, na margem direita do Rio dos Sinos, numa estância de criação de gado de propriedade do Governo Imperial. 

Na época, a área estimada era de quatro léguas de circunferência e a capacidade era de até seis mil cabeças de gado. Estância é um termo gaúcho usado para designar fazenda, rancho ou morada. Estância Velha também foi conhecida como Entrada de Bom Jardim. No ano de 1939, passou a denominar-se Genuíno Sampaio, que foi um Coronel com grande atuação no caso dos Mucker, em Sapiranga. Entretanto, o povoado voltou a chamar-se Estância Velha em 1950. 

Luta pela independência 

Após voltar a se chamar Estância Velha em 1950, o povoado começou a trilhar seu caminho até a emancipação. Em 22 de outubro de 1954, foi fundada por um grupo de senhores da comunidade, a Sociedade Amigos de Estância Velha, que foi registrada no Cartório de Registros Especiais de São Leopoldo no dia 14 de março de 1955. Esta entidade foi a base para o movimento emancipacionista, e dela se instituiu a Comissão Pró-emancipação, em 21 de janeiro de 1958, sob a presidência de Bruno Cassel. Na época, o distrito ainda pertencia a São Leopoldo. 

Em 12 de novembro de 1958 a Assembleia Legislativa aprovou a realização do plebiscito. O “Dia do Sim” foi 12 de dezembro daquele ano. A população aprovou a criação do município com 2.944 votos sim e 46 não. Em abril de 1959 a Prefeitura de São Leopoldo imputou um mandado de segurança, alegando que Estância Velha não reunia as condições mínimas necessárias para a sua emancipação. 

Passos finais para a emancipação  

Em 31 de agosto de 1959, a Assembleia criou uma nova lei, que dava a Estância Velha o direito de emancipar-se, mantendo o mandado de segurança. Em 8 de setembro de 1959, pela Lei 3.818, assinada pelo então governador Leonel de Moura Brizola, Estância Velha emancipou-se. Na oportunidade ficou constituída de três distritos: Sede (Estância Velha), Ivoti e Presidente Lucena (Nova Vila). O mandado de segurança foi anulado em dezembro de 1959. A primeira eleição para prefeito e vereadores aconteceu em 20 de dezembro daquele ano. 

Com a emancipação de Portão, em 9 de outubro de 1963, Estância Velha perdeu uma parte de sua área territorial. Em 19 de outubro de 1964, com a emancipação de Ivoti, o município passou a ter os aspectos geográficos que hoje conhecemos.

Capital Nacional do Couro 

Em 2011, por meio de projeto e lei de autoria do então deputado estadual Lucas Redecker, o município de Estância Velha passou a ser denominado como Capital Nacional do Couro. 

Estância tem tradição no beneficiamento de couros, o que remonta ao século XIX, quando o município voltou-se para a fabricação de selas e acessórios para montaria, sendo que mais tarde o município dedicou-se também ao curtimento de couros e peles combinado com a produção de calçados, ainda hoje a principal vocação do município.

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