COLUNA – A acachapante goleada dos clubes nas Seleções

A convocação para as eliminatórias da Copa do Mundo trouxe consigo um momento relevante e que pode ter profundos desdobramentos, com a não liberação de atletas que atuam na Europa para atuar pela Seleção Brasileira.  Ao todo, 11 nomes desfalcaram o país na rodada, por falta de liberação de clubes ingleses e também do Zenit, da Rússia.

Algo impensável em um passado recente, a valentia – e afronta – dos clubes europeus denota algo já latente no mundo do futebol: os clubes estão cada vez mais amassando as seleções.

O protagonismo é óbvio por uma razão direta: o clube toca o dia a dia do futebol. Seleção esporadicamente leva a emoção do torcedor a ponta da chuteira. Não são poucos aqueles que vivem intensamente o futebol por conta do clube do coração, mas dão de ombros para a Seleção Brasileira, por exemplo.

Aliás, moldando um recorte com a Seleção Brasileira, é preciso entender o momento que a paixão do torcedor brasileiro carrega consigo. A amarelinha vive uma crise técnica evidente e isso traz sequelas para aqueles que enchem os estádios (ou encherão, quando tudo voltar ao normal). A derrota de 7×1 impôs um descrédito incrível à Seleção. Estamos há sete anos machucados. Como um samba concorrente da Imperatriz Leopoldinense no carnaval carioca diz, “um dia a tristeza será cicatriz”. Porém, este dia ainda está longe de ocorrer. E isso deve a uma série de motivações.

Estamos órfãos de protagonismo. Nos acostumamos a ligar a televisão e observar craques brasileiros comandando Real Madrid, Barcelona, Milan, Inter de Milão, Juventus, entre outros. Atualmente, só Neymar exerce este protagonismo. Um único ídolo verdadeiramente de ponta. Desde 2007, não conseguimos emplacar o melhor do mundo. Quem liga a TV e vê a Seleção, não reconhece ali figuras que são carimbadas no futebol mundial, com raríssimas exceções. 

Soma-se a isso os fracassos recentes em Copas, além do fraco desempenho em diversas partidas amistosas (totalmente desinteressantes, aliás) e teremos a fórmula de bolo para o insucesso. 

Tudo isso descredibiliza a força da Seleção Brasileira? Evidente que não. Porém, no embate de forças, os clubes começam a golear. 

A futura Copa do Mundo de clubes é uma senha para o futuro próximo. A FIFA até tentará mudar o cenário. A futura Copa do Mundo a cada dois anos já é uma realidade nos bastidores e está a um passo de sair do papel. O ciclo de eventos esportivos do futebol está inchado pelos clubes e pouco povoado pelas seleções. Amistosos enchem a linguiça do ano e não levam o apoio popular.

Poucos ainda param em frente à televisão para assistir a um amistoso da Seleção. Algo absolutamente impensado há tempos atrás, quando qualquer oportunidade de ver a amarelinha despertava emoção.

Uma nova realidade. Um novo futebol. Que a Seleção Brasileira saiba voltar ao topo. E que os Deuses do futebol nos abençoem com uma nova safra de atletas para o ciclo da Copa 2026. Para 2022 é isso aí. Novidades serão poucas. Tal qual a que sempre tivemos, que novos craques surjam. E que “volte a brilhar a estrela do futebol brasileiro”, como diz Galvão Bueno. 

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