PAÍS – Transporte por aplicativo atravessa momentos de incertezas

Motoristas dizem que ficou inviável fazer transporte por aplicativos e usuários relatam demora maior 

Diante da alta no preço dos combustíveis e de alterações na forma de cobrança pelas empresas, motoristas que fazem transporte por aplicativo já começam a procurar alternativas de renda. Ao fazer viagens com a Uber, por exemplo, não é incomum ouvir queixas por parte dos trabalhadores. A União Nacional dos Motoristas de Aplicativo (UNMA), que tem sede em Curitiba, afirma que cerca de 30% da categoria já precisou parar por falta de lucro da profissão. A situação seria ainda mais grave para motoristas que antes alugavam carros para fazer a função. 

Segundo a UNMA, porém, o ‘boom’ provocado pelo desemprego no início da pandemia acabou bastante reduzido com as altas no preço, principalmente da gasolina. Alessandro Tanner é presidente da UNMA e questiona os valores aplicados para os profissionais. “Quando a Uber chegou ao país, a gasolina estava na faixa de R$ 2,89 e a taxa de embarque do aplicativo era R$ 5,25. Hoje, a gasolina custa R$ 5,69 e a taxa de embarque caiu para R$ 4,25. Os preços estão defasados desde 2016 e os motoristas precisam escolher corridas acima de R$ 20 para compensar”, afirma.

A possível redução do número de motoristas tem reflexo direto na espera de passageiros. Muitos já relatam demoras incomuns, com maior taxa de cancelamento. As empresas, porém, negam a redução, uma vez que os profissionais possuem bastante liberdade na forma de trabalho.

Tanner cita a palavra “inviável” para definir a atual condição dos motoristas de aplicativo. “Nos horários de pico, é melhor ficar em casa do que ficar parado no trânsito. Então os motoristas optam por outros horários, com maior quantidade de corridas”, diz.

Uber

A Uber alega que opera um sistema de intermediação de viagens dinâmico e flexível. “Por isso buscamos sempre considerar, de um lado, as necessidades dos motoristas parceiros e, de outro, a realidade dos consumidores que usam a plataforma, tendo em vista a preservação do equilíbrio entre oferta e demanda que é fundamental para a plataforma”, justifica.

Especificamente com relação aos combustíveis, a empresa diz que vem acompanhando os aumentos de preço e que entende a insatisfação causada pelos impactos em todo o setor produtivo e, por isso, a empresa tem intensificado esforços para ajudar os motoristas parceiros a reduzirem gastos.

“Por meio do programa de vantagens Uber Pro, a empresa lançou em 2021 diversas iniciativas e promoções para aumentar os ganhos em todos os tipos de viagem, de curta ou longa distância. A Uber vem realizando ações especiais em 2021 nas quais o motorista ganha até 20% de cashback no abastecimento do seu carro. E de forma permanente, pagando com o app abastece-aí nos postos Ipiranga, o motorista parceiro da Uber tem direito a 4% de cashback sem que, para isso, precise gastar seus pontos do programa KM de Vantagens. Isso significa que, além de receber de volta parte do valor gasto no abastecimento, o parceiro ainda acumula mais pontos para usar, por exemplo, na manutenção do carro (troca de óleo, pneu, reparos etc.). Considerando quem abastece um carro 1.0 toda semana com gasolina, por exemplo, a economia estimada supera R$ 500 por ano”, garante diz a multinacional.

99 app 

Por sua vez, a 99 diz que tem um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento, a geração de renda e a democratização da mobilidade no Brasil. “Em 2020, em um cenário de crise econômica impulsionada pela pandemia, a 99 foi responsável por aplicar R$ 224 milhões ao PIB de Curitiba, por exemplo, cidade estratégica para a empresa, segundo um estudo da Fipe que mostra o impacto econômico da renda dos motoristas parceiros da 99 na economia”, diz.

A empresa garante que neste momento de reabertura das cidades, segue com ritmo de crescimento nas corridas e trabalha constantemente para equilibrar oferta e demanda. Para reduzir o impacto dos constantes reajustes dos combustíveis, a 99 lançou um pacote de medidas para oferecer possibilidade de melhor renda para os parceiros que consiste em, entre outras iniciativas, a Taxa Zero, que é o repasse integral de valores em dias e horários específicos.

A 99 cita ainda o aumento no número de corridas em todo o país, especialmente pela chamada Classe C. “Sem o privilégio do trabalho remoto, as pessoas com menor renda passaram a utilizar mais transportes por aplicativo. Uma pesquisa Datafolha constatou que, entre as pessoas da Classe C, 40% afirma ter aumentado a frequência de utilização do app em 2020 e 31% começou a utilizar a modalidade por causa da pandemia”, explica Livia Pozzi, Diretora de Operações e Produtos da 99.

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