COLUNA – Brilha no céu uma estrela alvirrubra

Não consigo nesta semana escrever esta coluna com sorriso no rosto. 

Infelizmente, a minha querida amiga Ana Paula Veiga não resistiu na batalha pela vida. Perdemos uma jornalista de ponta. Mas, acima de tudo, perdemos um ser humano FANTÁSTICO. Uma pessoa de extremo alto astral, sempre com sorriso no rosto e sempre disposta a ajudar.

Lembro que conheci a Ana justamente na profissão que escolhemos nesta caminhada que se chama vida. Fui narrar um jogo de futsal em Presidente Lucena e vi que era minha repórter. 

Não houve nenhuma cerimônia. Ela já chegou me cumprimentando com abraço e beijo, dizendo que estava empolgada com a transmissão e que “o Guiñazu estava lá”. Lembro que após ela falar no “Guina” emendei com a pergunta: “Ah, tu é colorada, então?” E ela respondeu: “Não, eu não sou colorada. Eu simplesmente vivo de Inter”. As risadas que vieram a seguir são a tônica do que foi esta amizade que tive por dois anos em minha vida. 

A Ana era uma amiga daquelas que vira e mexe me dava “letra” por determinada narração. “Gritou mais no gol do Grêmio, meu bem”, ela dizia. Ou que comentava os posts do meu Facebook com sua análise sobre os momentos de Inter e Grêmio. Torcedora fervorosa do colorado, tinha em seu coração uma virtude que nem todas pessoas possuem: humildade.

Dona de um talento ímpar na escrita e na fala, Ana nunca deixou subir pra cabeça sua qualidade natural enquanto jornalista. Sempre foi atenciosa e educada com todos, agradeceu elogios e sempre se cobrou bastante. 

Enquanto repórter, sempre estava atrás da boa pauta, da boa notícia. Quando entrou na comunicação da Prefeitura de Ivoti, me enviou uma mensagem e disse: “quero espaços pros meus releases, hein?”. Ana era assim. Sabia quebrar o gelo com sua simpatia e seu sorriso.

A estrela alvirrubra tinha o coração pintado nas cores do Inter e do São Luiz, de Ijuí. Quando o meu Esporte Clube Novo Hamburgo derrotava o São Luiz, mandava mensagem a ela. E recebia troco nas derrotas do Nóia ou nas eliminações. 

Queria poder ter cumprido a promessa, Ana. Que a gente, após sua saída do hospital, ia tomar aquele chopp gelado e debater sobre o teu colorado, que tu tanto amavas. 

Deus quis te levar aos 30 anos. Ele quis ver essa estrela brilhando ao lado dele. Torcendo com os gols e as vitórias aí de cima. Tenho certeza que isso é “mais do que certo”, como tu gostava de me dizer quando te perguntava alguma coisa. 

Brilhe aí de cima, estrela alvirrubra. Tua falta será gigante por aqui. 

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