COLUNA – A Master-Liga disputada em Belo Horizonte e Paris

PSG contrata Lionel Messi. O Atlético-MG prestes a anunciar Diego Costa e ainda negociando com David Luiz. Há quem diga que o PSG pode contatar o staff de Cristiano Ronaldo caso perca Mbappé para o Real Madrid. 

A senha é clara: o dinheiro está comprando, como sempre. Mas a irrealidade das negociações está começando a assustar. A força do “money” se mostra a principal potência para títulos. E, talvez, não seja por aí a senha do sucesso. Aliás, exemplos não faltam. 

Times endinheirados costumam ser fracassos quando não possuem organização. “Temos grandes estrelas. Mas essas estrelas, jamais, formaram um time”. Assim Galvão Bueno descreveu a eliminação do Brasil para a França em 2006, no Jornal Nacional que entrou no ar logo após a partida válida pelas quartas-de-final da Copa do Mundo da Alemanha. E isso é algo que pode acontecer com PSG e Atlético/MG.

Fazer estrelas jogarem unidas não é uma tarefa simples. E, acima de tudo, encontrar um sistema de jogos que encaixe tantos craques não é fácil. Zagallo conseguiu na seleção brasileira em 1970, mas foi muito mais uma inteligência tática de um elenco absolutamente único. Os diversos técnicos do galáctico Real Madrid (incluindo Vanderlei Luxemburgo) fracassaram, por exemplo. 

Minha dúvida é: o PSG e o Galo estão investindo certo? Obviamente, Lionel Messi é um gênio. Não há o que dizer nisso. Mas não sei se é exatamente o cara que fará este time do PSG ser campeão. O que faltou nos momentos decisivos nos últimos anos foi um sistema defensivo mais organizado. No caso do Atlético/MG, Diego Costa chega em um time que já tem Hulk, Vargas e mais alguns atacantes de ponta. Era mesmo necessário?

Isso que penso. Comprar por comprar nem sempre é sinônimo de sucesso. É preciso mesclar qualidade com competitividade de elenco. Trazer jogadores de pontos importantes ao elenco de forma uníssona. 

PSG e Atlético/MG parecem estar em uma Master-Liga, dos áureos tempos do PlayStation 2. Contratando estrelas e mais estrelas e entendendo que é preciso de craques para se dar bem. Sabemos que nem sempre é isso que resolve.

Para o bem do futebol, é até bom que não se deem bem. Para mostrar que não é só a força do dinheiro que resolve. Em um curto prazo, pode até resolver. Mas no longo, não é o caminho mais feliz. E deixa rastros de dívidas. 

Se vai dar certo ou não, não sabemos. Obviamente, o marketing é forte. Mas, certeza de título, nenhum time tem. Só na master-liga. 

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