COLUNA – Essa prata vale ouro!

Rebeca Andrade. Nome de uma das tantas meninas que cresceram na década de 2000 neste país e sonharam, em algum momento, em ser Daiane dos Santos. Daiane, que fez todo o país ficar vidrado em frente a televisão na Olimpíada de Atenas, em 2004, marcou época. Pela sua brasilidade. Pela sua perseverança. Por levar o brasileirinho a todo o planeta. 

Faltou para Daiane somente uma medalha olímpica. E até hoje ela demonstra sentir este peso. Após Daiane, nomes como Daniele Hypólito e Jade Barbosa tentaram, mas não conseguiram chegar lá. 

A Olimpíada de Tóquio parecia que não seria de dias felizes para nossa ginástica. Não tínhamos nomes fortes na boca dos comentaristas da modalidade, como em outras oportunidades. E há uma Simone Biles em atividade. Aliado a isso, há a tradicional pouca motivação do brasileiro de uma forma geral com esportes além do futebol o que, no efeito cascata, faz com que investimentos públicos e privados sejam escassos. 

Com todas as adversidades, Rebeca chegou a Tóquio. Lutou bravamente, superou lesões e superou toda a força de uma Olimpíada, algo que nenhuma brasileira havia conseguido. 

A medalha de prata no individual geral, representa, acima de tudo, superação. Não só na Olimpíada. Mas em toda a vida. 

A menina negra, criada em Guarulhos/SP, filha de uma empregada doméstica (mãe solo, aliás) e que tinha que ir a pé aos treinos do Projeto Municipal em muitas oportunidades por não ter dinheiro para o ônibus, é medalha de prata na Olimpíada ao som de Baile de Favela. Ao som do FUNK BRASILEIRO! Em uma modalidade que sofre com a falta de investimento, uma medalha conquistada na raça, no talento, na superação.

Como negro e brasileiro que sou, me emocionei ao ver Daiane dos Santos chorando na televisão ao perceber que uma brasileira chegou ao topo da ginástica mundial. Imaginei o filme que passou na cabeça de Daiane ao ver uma menina negra e de origem humilde naquele pódio. Quantas Rebecas e Daianes não temos neste país e que se sentiram representadas ali, naquele momento?

Olimpíada é sinônimo de dedicação. Motivação. Paixão ao esporte. Em 1984, Galvão Bueno narrou, pela Rede Globo de televisão, a chegada de Gabrielle Andersen, maratonista que, exausta, completou a prova da Olimpíada de Los Angeles. E Galvão eternizou em sua narração a frase: “Guarde esta imagem, torcedor brasileiro”. Hoje é o dia de, mais uma vez, guardarmos uma imagem. Que representa muito para todos nós que acreditamos no esporte como fator propulsor de uma vida melhor. Que seja o início de um ciclo vitorioso. Que orgulho, Rebeca. Que representatividade!

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