COLUNA – Admito que errei. Miguel Angel não dá mais.

Errei. Errei feio, errei rude. Há pouco mais de um mês, publiquei nesta mesma coluna que não era plausível demitir Miguel Angel Ramirez. O técnico colorado, claudicante naquele momento, dava sinais de inconstância. Porém, considerando o constante “fritadeiro” que se tornou o universo de técnicos no futebol brasileiro, disse aqui que era muito cedo para demitir o treinador e que era preciso ter paciência. Feito este reparo, relembro que também citei que era preciso o próprio Miguel Angel perceber seus erros. E começar a encontrar soluções.

De lá pra cá, o que se viu foi totalmente o oposto. Miguel Angel foi absolutamente patético em suas escolhas. Já teve tempo de diagnosticar o que estava errado e trocar peças em seu tabuleiro. Porém, apaixonado por suas convicções, seguiu errando. E errando muito. Fazendo com que os principais acertos da temporada 2020 ruíssem. 

Entendo que estilo de jogo é algo próprio de cada técnico. Sei que MAR bate sempre na tecla das convicções e que é preciso entender que o Colorado passa por uma ruptura em seu padrão de jogo nas últimas temporadas. Porém, é qualidade de um técnico – e de qualquer profissional qualificado – perceber quando existem erros. Miguel Angel erra ao seguir tentando introduzir no Inter um estilo de jogo que em nada combina com o elenco. 

Lomba não sabe jogar com os pés. Patrick não é ponta-esquerda. Jhonny está pedindo passagem, mas é pouco utilizado. Não há mais a menor condição de Zé Gabriel estar em campo na zaga (afinal, nem zagueiro ele é). 

O estopim de tudo foi a sonora – e justa – goleada sofrida contra o Fortaleza. Ficou nítido que, em um universo com tantas dificuldades, qualquer time com o mínimo encaixe faz o Inter sucumbir. E Miguel Angel, como uma barata tonta, não percebeu o massacre que seu time estava levando. Preferiu levar de cinco, mas sem se desfazer de suas convicções. 

Não vejo força para Miguel mudar este time. Como sempre digo: torço pela vitória da dupla GreNal e não pela minha teoria. Então, que eu esteja errado. Que ele encontre o melhor sistema de jogo e que o Inter passe a enfileirar vitórias. Isso seria perfeito. Porém, permitindo-me debruçar-me sobre a realidade, é absolutamente racional desacreditar disso. 

O que vejo é um time burocrático, pouco criativo e que apresenta atuações pífias dia após dia. Atuações lamentáveis, coroadas com este histórico revés de 5×1, uma das maiores derrotas coloradas na história do Brasileirão.

Neste momento, o ideal seria mudar a comissão técnica. A multa rescisória, como se sabe, é cara. E o regulamento do Brasileirão permite apenas uma troca de técnico em caso de demissão. Porém, neste momento, vejo que uma troca que proporcione chacoalhar este elenco seja o mais correto a se fazer. Miguel não dá qualquer sinal de evolução. E isso é absolutamente nítido. 

Sei que a direção não quer isso. Mas, como fez este colunista, admitir o erro é fundamental nesta vida. Miguel Angel não deu certo. E é preciso seguir em frente. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

13 + três =