COLUNA – O Inter desbotou

A queda vertiginosa do Inter merece atenção especial. Não somente pelas fracas atuações técnicas dos últimos tempos, mas pela apatia demonstrada em todos os setores do clube, não somente em campo.

A gestão Marcelo Medeiros se encerrará como a terceira dos anos 2000 a não vencer título algum. Porém, Jarbas Lima (2000) e Fernando Miranda (2001) carregam consigo o mérito de terem ajeitado muitas coisas. Medeiros pegou o Inter na série B, é verdade. Porém, o fato de nem a segunda divisão ter vencido é sintomático. 

Aliás, o principal fato é que nem Gauchão Marcelo Medeiros venceu. Ele terminará sua gestão sem vencer um título sequer e sendo engolido pelo Grêmio em praticamente todos os GreNais.

Além disso, o presidente acumulou uma série de apostas fracassadas, que mostraram a cada dia o tamanho do buraco da incompetência que o Inter se enfiou. 

Não há mais como defender a gestão Medeiros. O presidente que tirou o Inter da Série B e até ajeitou parcialmente as dívidas, fez muito pouco. Ou quase nada. 

Para completar a fase tenebrosa em campo, o Inter ainda enfrenta um desgastante processo eletivo que já está bélico antes mesmo de ser realizado. O clima entre os presidenciáveis é de briga, de discussão e de poucas ideias. E quem sofre com isso é o torcedor, que amarga mais um ano de futebol pífio e de atuações lamentáveis. 

Para complicar ainda mais, o bom trabalho de 2020 foi por água abaixo em um mês. Isso mostra o tamanho do abalo psicológico do clube. Foi sair Eduardo Coudet que o time degringolou. O Inter se perdeu. E a queda livre parece não ter hora pra acabar.

O colorado desbotou. E para ganhar nova cor precisará se modificar totalmente. Precisará recomeçar, como Fernando Carvalho fez em 2003. Ou o clube passa por uma drástica mudança, ou o buraco seguirá enorme. 

O Grêmio ganhou cor  

Se de um lado o Inter está em uma crise interminável, do outro o Grêmio cresce a cada dia. Renato conseguiu encontrar no tricolor uma mecânica de jogo que tem em Jean Pyerre um meia cerebral e com passe e chute extremamente qualificados. 

Além disse, percebeu que precisava de velocidade no ataque. Luiz Fernando e Pepê são flechas pelos lados e o pesado Diego Souza não é um centroavante “aipim”, que fica plantado dentro da área. Sai para buscar o jogo, recebe de costas para o gol como o pivô e, claro, finaliza. 

Se o time demorou a engrenar, chegou ao ápice na hora certa. Está na semi a Copa do Brasil, bem encaminhado pras quartas da Libertadores e pode até sonhar alto num Brasileirão que parece que ninguém quer vencer. 

O tricolor está caminhando para mais um ano de glória. E eu me obrigo a estender a mão à palmatória, tendo em vista que fui um crítico severo de Renato em alguns momentos na temporada e agora vejo o time rendendo mais do que diversos outros, inclusive o maior rival. 

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