Nova cédula de R$ 200 causa desconfiança nos brasileiros

Criada em setembro pelo Banco Central, nova cédula é pouco vista no dia a dia do cidadão 

Cédula ainda gera insegurança nos brasileiros – Crédito: Renan Silva Neves/Jornal RS

Após 18 anos, o Real ganhou uma nova cédula. Se em junho de 2002 a justificativa do Banco Central (BC) para criar a nota de R$ 20 foi a facilitação de troco e a redução da demanda da nota de R$ 10, em 2020 a criação da cédula de R$ 200 foi motivada pela atipicidade do ano com a pandemia do novo coronavírus. Esta seria a maior necessidade do brasileiro em utilizar o dinheiro em espécie.

Até o final de 2020, o BC projeta a impressão de 450 milhões de cédulas, o equivalente a R$ 90 bilhões. A nova nota possui formato e dimensões idênticos a cédula de R$ 20 (14,2cm x 6,5cm) e já está disponível em caixas eletrônicos de todos os Estados brasileiros, além do Distrito Federal. O design é predominante nas cores cinza e sépia e a estampa é do lobo-guará, animal típico da fauna brasileira e atualmente ameaçado de extinção.

No final de março, quando a maioria dos estabelecimentos comerciais fechou as portas e o distanciamento social se intensificou, a quantidade de cédulas que estava em circulação equivalia ao montante de aproximadamente R$ 260 bilhões, de acordo com o BC. O número seguiu crescendo de forma acentuada e em 17 de agosto alcançou a marca de R$ 350 bilhões. Em seu site, o BC afirma “que o dinheiro em espécie ainda é a base das transações em nosso país, e o momento é oportuno para o lançamento”.

Inflação 

Embora a criação de uma cédula de valor alto possa ser sinal de inflação, não há indício desta situação no país, segundo o economista com pós-graduação em Teoria Econômica pela USP, Gesiel Prates. “O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que rege tendências da inflação, teve no último ano um aumento de 2,1%, índice considerado estável. Desde 2017 se observa uma queda na inflação, com exceção de um breve período de 2018 em que houve um avanço por conta da greve dos caminhoneiros”, pontua.

Gesiel frisa, porém, que não via necessidade na criação da nota e que elas podem ‘estacionar’. “Já existia uma dificuldade com a falta de rotatividade das cédulas de R$ 100, que normalmente só são utilizadas em pagamento de contas de alto valor pela dificuldade em se conseguir troco. Com as de R$ 200, o problema tende a ser ainda pior”, ressalta.

O economista ainda relembra que uma nova cédula demora para se inserir completamente na rotina do cidadão por conta da desconfiança. “Como há o receio com as notas falsas, a tendência é que o cidadão receba a nova cédula e já tente trocá-la o mais rápido possível, acelerando a rodagem. O problema é que a desconfiança é um efeito cascata. Assim como quem recebeu não quer ficar com a cédula, passar adiante não é tão simples”, diz.

Cuidados 

Funcionária de uma lotérica com grande presença de público no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, Rafaeli Garcia foi a primeira caixa do local a receber uma nota de R$ 200, ainda no mês de setembro. “Recebemos um treinamento específico. Assistimos um vídeo do Banco Central explicando como proceder para verificar a autenticidade. Claro, mesmo com todas as regras, ainda podemos ser enganados, mas me sinto segura”, destacou.

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