NOVO HAMBURGO RECEBE RENOMADA PIANISTA BRASILEIRA

Postado por Ari Schneider  /   julho 22, 2018  /   Postado em Geral  /   Nenhum comentário

Eudóxia de Barros se apresentou na Fundação Scheffel

 

 

 

 

 

 

 

 

Na última terça-feira, a Fundação Ernesto Frederico Scheffel recebeu a renomada pianista Eudóxia de Barros, que apresentou um recital em homenagem aos 40 anos do Museu de Arte Scheffel. Por intermédio do empresário Rogério Barbi, proprietário das filiais do MC Donald’s em Novo Hamburgo e Canoas, o Jornal RS entrevistou a pianista, com exclusividade. Confira:

 

Como e em qual momento da tua infância surgiu esse amor que tu tens pela música e, em especial, pelo piano?

Havia na minha casa um piano que era tocado todos os dias pela minha avó paterna. O repertório dela era muito variado, hoje entendo que ela tocava muito bem, apesar de não ser profissional. Então eu sempre estava lá com ela, estudando. Minha mãe também teve um início de estudo de piano, minha tia era cantora, enfim. Meu pai tocava violão e a gente sempre ouvia muita música no rádio. Tudo isso foi se somando e eu gostava muito, assim como minha irmã. Até que um dia, com seis anos de idade, meu pai decidiu que deveríamos estudar com uma professora profissional. Ela nos deu muita base, mas após um ano e meio de aula ela foi extremamente sincera com meu pai e disse: “suas filhas têm muito talento e tudo o que eu tinha para lhes ensinar, eu ensinei. Agora é melhor procurar um professor melhor do que eu.” Então uma amiga da família recomendou um professor alemão que, no início ele negou. De tanto insistirmos, um dia ele foi até a minha casa e nos ouviu tocar. Acabou que ele ficou muito encantado e decidiu que nos ensinaria.

Em 1953, quando tu ainda tinhas 16 anos, o maestro Eleazar de Carvalho disse que dentro de pouco tempo, tu serias a pianista de maior aceitação no Brasil. Como foi a tua reação a isso época e o quanto isso influenciou na tua carreira?

Eu havia vencido um concurso para ser solista da Orquestra Sinfônica Brasileira, que ia todos os meses para São Paulo fazer concertos de temporada oficial. Ganhei tocando o Concerto Nº 1 de Villa-Lobos. Foi muito emocionante. Ele era muito rígido, cobrava muito, exigia o máximo de cada músico. Eu era muito bobinha, muitas regras, alguns movimento eu não sabia. Mesmo assim ele fez essa declaração, o que me tocou bastante e eu levei muito a sério a partir de então.

Desde o início tu deixaste explícita a tua capacidade, tocando músicas de compositores brasileiros, como o Villa-Lobos. Do ponto de vista técnico, qual a principal diferença entre a música brasileira e a música estrangeria em geral?

Tecnicamente, a música brasileira tem situações muito mais difíceis. Depende muito do compositor. Duas peças do Ernesto Nazareth, por exemplo, eu sempre apresento para os meus alunos, que são “Apanhei-te Cavaquinho” e “Ameno Resedá”. Ambas as peças oferecem uma situação técnica que exige muita coordenação motora do pianista. Diria que são músicas que qualquer pianista de qualquer lugar do mundo precisam aprender. O problemas é que não há divulgação, é uma pena. O estudo que estou tocando de Osvaldo Lacerda é totalmente único, muitos saltos. Um estudo que mereceria ser conhecido por qualquer pianista internacional. Com certeza todos iriam avaliar e gostar muito. No ano passado foi lançado uma caixa com seis CDs, através das Edições Paulinas, da obra de Osvaldo Lacerda. Como eu fui casada com ele, fui contratada para fazer a gravação da obra completa dele, para piano. São mais de 200 músicas. E não houve nenhuma divulgação nos jornais de São Paulo. Em todas as grandes capitais está assim, a imprensa divulgando apenas o que é estrangeiro. Aqui em Novo Hamburgo tem uma pianista que é maravilhosa, a Olinda Allessandrini, sou muito fã dela.

 

Quando começou a tua relação com o Rio Grande do Sul e como o público gaúcho te recebe?

Eu adoro tocar aqui, é fantástico. Sempre tem público, que entende e que gosta. Primeira vez que eu estive aqui, foi em uma pequena turnê, acompanhando o violinista Natan Schwartzman. Havia um programa da Secretaria de Cultura do estado, que organizava essas turnês pelo Rio Grande do Sul. Estivemos aqui em Novo Hamburgo, é a terceira vez que toco aqui. Também estivemos em Lajeado. Mais tarde, sozinha, toquei em Santa Cruz do Sul, Cruz Alta, São Gabriel e várias vezes em Porto Alegre, com a OSPA, inclusive. Sempre foi muito agradável. Mais recentemente toquei em Gramado e Pelotas. Muito público, sempre cheio. O povo gaúcho é grande admirador da música clássica.

Postar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

8 + dezessete =

%d blogueiros gostam disto: