Faisal diz que recuperar ruas e avenidas de Novo Hamburgo é um “grande desafio”

Postado por Ari Schneider  /   setembro 08, 2017  /   Postado em Geral  /   Nenhum comentário

Atual responsável pela pavimentação da cidade participou do programa A Hora da Verdade

Secretário de Obras Públicas, Serviços Urbanos e Viários de Novo Hamburgo, Faisal Karam esteve na manhã de terça feira, 5, nos estúdios da Rádio Aurora FM 87.9, participando do programa A Hora da Verdade. O entrevistado, formado em Administração de Empresas pela Unisinos, ao longo da sua trajetória na vida pública, teve atuação destacada no âmbito regional e estadual, especialmente na área de obras. Em Campo Bom, Faisal já foi secretário de Obras, Serviços Urbanos e Trânsito, por 14 anos; secretário de Planejamento, por dois anos; e prefeito, de 2009 a 2016.

Quanto ao nome incomum, o gestor revela que se deve a origem jordaniana de seu pai. “Meu pai veio muito cedo e, então, tem um hábito, quando nasce o primeiro filho homem, que o pai escolhe fazer uma homenagem a alguém importante na sua terra natal. Aí colocou o nome de um rei da Arábia Saudita, que era Rei Faisal”, conta o secretário. “Mas esse tinha uns poços de petróleo, tinha umas posses um pouco maiores”, complementa Faisal Karam, em meio aos risos.

O primeiro questionamento relativo a área pública foi acerca da manutenção e recapeamento das ruas e avenidas de Novo Hamburgo. “A gente gostaria que fosse um quadro bem melhor do que é hoje, melhor do que foi no início do ano. Foram recuperadas praticamente duzentas vias em nosso município, em operação tapa-buraco, recomposição, entre outros. Mas, infelizmente, pelo estado precário em que essas r

 

uas se encontravam, a gente é capaz de afirmar que hoje passa, tranquilamente, de quase duas mil vias, então estamos falando de apenas 10% delas”, esclarece.

O secretário recorda que a situação é semelhante na maioria dos municípios brasileiros, em decorrência das finanças. “Esse é um grande desafio em quatro anos recuperar boa parte do sistema da malha viária do Município”, pontua Karam, ao acrescentar que, para a realização de obras, os municípios contraem empréstimos, repasses do Governo Federal ou novas linhas de crédito. “Se não houver um movimento forte dos prefeitos, se unindo, independente de questões político-partidárias, os nossos municípios terão sérias dificuldades no futuro”, afirma.

Usina de asfalto

Conforme abordado, Novo Hamburg

 

o já foi referência e produziu muito asfalto para a região. “No passado, a prefeitura dispunha de uma usina de asfalto. Não sei por que se terminou com ela. Talvez, pelo grau de qualidade do pavimento. Mas eu acho que não, porque os pavimentos executados na época apresentam ainda uma boa condição de trafegabilidade. Quais foram os interesses, quem sabe a população daqui ou os próprios políticos possam explicar”, enfatiza o secretário.

Faisal alega que bairros sem infraestrutura adequada foram pavimentados e indica que a contrapartida dos repasses feitos pelo Governo Federal acabou por deixar outros locais sem manutenção. “Que ótimo que foi feito! Ninguém questiona isso. Mas se deixou para trás, por falta de recursos. Ou tu faz uma coisa, ou tu faz outra. Como tu tem que ter o dinheiro para a contrapartida, tu deixa de aportar recursos em manutenção”, explicou.

Durante a entrevista, o secretário apontou que os reparos realizados na última administração municipal foram executados sem padrão de qualidade. “Tu fazia um asfalto novo, com recursos do Governo Federal, com contrapartida do Município, mas não fazia a recuperação da via. Hoje você tapa um buraco aqui, abre um buraco do lado. É um colapso estrutural de pavimento”, afirma Faisal Karam, apontando que o objetiv

 

o da manutenção das vias, nos últimos anos, era apenas para dar uma resposta rápida aos contribuintes e pessoas que reclamavam.

Programas e ações

Questionado sobre as medidas e trabalhos da secretaria, Karam responde que a administração ainda paga valores devidos do governo anterior. “Este dinheiro poderia estar sendo usado em novas obras, em recapeamentos asfálticos, entre tantas outras coisas. Não é um volume extremamente alto, mas é um bom dinheiro. Poderíamos ter mais duas ou três frentes de equipes de asfalto, fazendo capas em algumas ruas na sua totalidade”, enfatiza o secretário, relatando que o governo anterior também encaminhou R$ 142 milhões em obras.

O titular da Secretaria de Obras

 

Públicas, Serviços Públicos e Viários informa ainda que o Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) está fechando as linhas de créditos estruturais para municípios brasileiros, devido às dificuldades de execução das obras. “Eles têm dinheiro, querem investir – porque eles ganham dinheiro em cima desse investimento, em cima dos juros desse recurso. O risco é para ambos, mas para eles é altamente atrativo”, descreve Karam.

O secretário cita ainda que os investidores desistem pela falta de projetos bem feitos, além da ausência de acompanhamento nas obras e outros problemas. “Tu ter que ouvir isso de um agente financeiro, que quer emprestar dinheiro, porque no Brasil uma obra que era pra levar um ano acaba levando sete ou oito anos. É um absurdo!”, completa.

Transtornos

A obra interfere na vida das pessoas, lembra Faisal, reforçando que a secretaria está fazendo um trabalho de remontagem estrutural dos projetos, pensando na vida das pessoas. “Se hoje não tá fácil pagar aluguel, manter três, quatro ou cinco funcionários, imagina tu deixando a frente do lojista intransitável, o cliente não podendo chegar”, especifica. O secretário mencionou a preocupação com as obras no centro da cidade, que devem começar no próximo ano. “São de nove a dez ruas que terão interferência direta, mais o Calçadão Oswaldo Cruz e a praça”, conclui.

O futuro de Karam

Ao fim, o representante do poder público falou que não tem pretensão de concorrer à prefeitura e opinou sobre a situação do Brasil. “Essa questão de ser gestor hoje está muito complicada. O quadro atual do país não permite que tu possa sonhar em fazer alguma coisa maior pelas cidades, porque realmente o recurso está muito escasso, o grau de endividamento dos municípios está muito alto e a gente não vê perspectiva de mudar nos próximos quatro ou cinco anos”, lamenta. “Eu não quero passar por isso”, finaliza Faisal Karam.

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