Bonato revela detalhes sobre sua saída durante gestão de Luis Lauermann

Postado por Ari Schneider  /   julho 07, 2017  /   Postado em @destaque-foto, Geral  /   Nenhum comentário

Ex-secretário de Meio Ambiente explica que foi afastado após tentativa de resolver irregularidades na Diretoria de Proteção Ambiental

Na quinta-feira do dia 22 de junho, esteve nos estúdios da Rádio Aurora FM 87.9 o ex-secretário do Meio Ambiente de Novo Hamburgo, Eduardo Antônio Bonato, que fez parte do primeiro escalão da administração liderada pelo petista Luis Lauermann. Exonerado do cargo após trazer uma série de denúncias dentro da Diretoria de Proteção Ambiental, Bonato foi questionado sobre sua saída. “Eu tive um cuidado muito grande de não vulgarizar o assunto. O que encontrei ali foi derradeiro para que se tomasse a atitude que tomei”, contou.
O titular da pasta durante o período de 2013 até o final de 2015 relatou como começaram os conflitos dentro da secretaria. “Começamos a verificar que alguns documentos tinham deliberações onde não eram seguidos os procedimentos, mas foi através dos protocolos e chamamentos que comecei a ficar atento e percebi que havia algo errado. Você via que os protocolos da mesma natureza tinham procedimentos diferenciados em relação à mesma demanda”, revelou. Procedimento nada mais é do que uma ferramenta legal da prefeitura, estipulando como deve correr o seu pedido.

“Eu cheguei a interditar a própria fiscalização do Meio Ambiente”
Bonato expôs suas ações e descreveu os pormenores da investigação que protagonizou. “Com a análise desse emaranhado de documentos, começamos a verificar que tinha um detalhe: vegetações com valor agregado seguiam com outro procedimento, outra demanda. Pois bem, como qualquer empresa você conversa, e nem tudo você tem que colocar em um ofício lindo e maravilhoso. Pergunto: é possível retirar eucaliptos da Fenac sem a assinatura do presidente da Fenac? É possível tirar eucaliptos de uma escola sem a diretora ter autorizado? É possível a Defesa Civil imitir ofício e documentos com a ausência de assinaturas ou falsificações?”, refletiu Bonato, ao dizer que as atitudes dos servidores envolvidos foram medíocres. “Eu cheguei a interditar a própria fiscalização do Meio Ambiente”, completou. O ex-secretário lembra que as primeiras informações após a sua saída foram divulgadas junto ao Jornal RS, na edição do dia 31 de Dezembro de 2015.
Ligado ao PDT, partido da base aliada do governo Laurmann, Bonato esclareceu questões relacionadas ao envolvimento de políticos com os desvios percebidos na diretoria. “Você consegue identificar que, nesses pontos chaves, há indicações políticas – da qual eu também, como secretário, tinha uma identificação, até porque é o nosso sistema democrático. Nessa avaliação me trouxeram questionamentos. A equipe veio a mim e disse que existiam pessoas ligadas a um determinado político, mas o político não apareceu. Como eu vou responsabilizar ele? Então seria uma irresponsabilidade da minha parte aqui apontar o nome”, explanou.
Bonato diz que conversou com o prefeito sobre a substituição dos funcionários. “Em um determinado momento, eu levei a questão ao gabinete do prefeito e disse que precisava colocar gente competente, que quisesse fazer a diretoria de proteção ambiental e não estivesse pensando em uma eleição”, pontuou. Segundo explicou o ex-secretário, houve um avanço, mas as irregularidades permaneceram. “Chegou um ofício de banco colocando que havia uma serralheria clandestina em Novo Hamburgo, operada por servidores públicos, abstraindo do próprio município. O patrimônio sendo comercializado. Isso veio e caiu nas minhas mãos”, declarou Bonato, apontando ainda que o Ibama confiou na Prefeitura. “Verificado qual o endereço que se tinha no ofício, foi solicitado que fosse a fiscalização e eu deliberei para a Diretoria de Proteção Ambiental”, frisou. Segundo informa Bonato, antes que a secretaria averiguasse a situação, a serralheria pediu um prazo para regularizar o serviço. “O senhor está roubando material da prefeitura, se pagando ou pagando de forma ilegal e me manda um ofício pedindo prazo, se a fiscalização nem chegou lá?”, indagou. “Ali eu comecei a ter certeza que não podia contar com a minha fiscalização”, finaliza.
O proprietário da empresa revelou que trabalhava com a secretaria e era chamado para tirar os eucaliptos, conta Eduardo Bonato. O secretário do Meio Ambiente não era informado sobre o esquema. O dono da empresa, que não tinha CNPJ, explicou à fiscalização que não cobrava nada e podia ficar com a árvore. O então secretário descobriu que havia um inquérito arquivado no Ministério Público, relacionado ao local em questão e com os mesmos envolvidos. Segundo consta, Luis Lauermann tinha conhecimento da situação. “Houve outros eventos. Na Fenac, reparei que as serralherias envolvidas eram outras e quando nós pegamos a documentação, não tinha assinatura do presidente da Fenac. Os procedimentos não tinham sido colocados em prática e havia uma constante renovação de um alvará, para que fossem retirados mais e mais”, relata Bonato. “Eu fiz todo o auto de infração dentro da minha equipe”, diz Bonato, ao ressaltar que pediu exoneração de servidores.

Suborno ou exoneração

Uma mobilização da pasta, na véspera da exoneração, foi o motivo principal para que Luis Lauermann tomasse a decisão de tirá-lo do cargo. “No dia 24 de dezembro eu cheguei com duas caçambas, recolhi todo o equipamento do Parcão e, naquele momento, eu estava interditando a minha própria diretoria. Computadores e arquivos, levei tudo para a prefeitura. Antes mesmo de eu terminar de descarregar, todos os equipamentos do sexto andar, que era onde eu me concentrava, já haviam sido retirados. O prefeito havia me exonerado”, relembrou. Bonato acrescenta ainda que recebeu proposta par cargo de diretor da Fenac, onde teria salário maior. “Isso não parece uma tentativa de suborno, para que fique quieto? Vocês não me levem a mau, mas isso me pareceu um suborno. É dessa forma que eu tenho que abrir mão da denúncia?”, questionou.
Um processo administrativo foi aberto contra o ex-secretário, que também explanou durante a entrevista sobre o envolvimento de diretores nas irregularidades.
“No antigo horto florestal tinha 15 pinos, se não me engano, e foi tirado aquilo lá.
Meu diretor me ligou colocando que havia uma grande denúncia. Eu disse para fazer o que tinha que fazer. Como é que se classifica isso? É roubo. Não tem outro nome. Então eu recebi um memorando, do diretor de serviços urbanos, ligado a um dos políticos, pedindo a doação das toras. Até ai não vi problema nenhum, só que esse que me mandou o memorando estava envolvido e citado entre aqueles que foram pegos no flagrante. Como é que eu vou liberar para esse diretor através de um memorando as toras que ele tá envolvido?”, indagou.
Conforme Eduardo Bonato, não houve registro policial ou solicitação de sindicância avisando sobre a participação de servidores. Depois disso, uma das servidoras, autuada em flagrante na supressão da vegetação, se recusou a assinar o laudo de infração e deu abertura a um processo administrativo contra o ex-secretário. “Ela deliberou descaradamente, junto com uma subprocuradora da prefeitura, alegando que o secretário do Meio Ambiente da época tinha cometido uma falta grave em autorizar a doação das árvores”, justifica.
“Eu agi dentro da legislação. Não construí essa imagem que tentaram me colocar. Não que eu queira me eleger, nunca fui candidato e não tenho essa pretensão no futuro”, se defende Eduardo Bonato, que revela disposição em continuar a investigação.

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