São Leopoldo enfrenta guerra do lixo

Postado por Ari Schneider  /   abril 16, 2015  /   Postado em @destaque-foto, @destaque-texto, Geral  /   Nenhum comentário

IMG_0026A coleta de lixo em São Leopoldo está paralisada desde o dia 10 de abril. Conforme levantamento da Prefeitura, feito na quarta-feira (15), cerca de 850 toneladas de lixo domiciliar se acumulavam nos bairros do município. A parte aparente do problema é a recusa dos garis de trabalhar por não terem recebido os salários de março da empresa SL Ambiental. Nos bastidores, o problema decorre de uma disputa entre a Prefeitura e a SL Ambiental. A empresa argumenta que atrasou salários porque a Prefeitura não pagou o devido, a Prefeitura apresenta provas de que está em dia com seus compromissos.

Presidente da Câmara ajudou
Na manhã de terça-feira (14), mais de cem garis fizeram uma manifestação barulhenta em frente ao prédio da Prefeitura na tentativa de serem ouvidos por alguém. O vereador Aurélio Schmidt (PSDB), presidente da Câmara Municipal, estava no local e, junto ao vereador Nestor Schwertner (PT), convidou os trabalhadores a se manifestarem na sessão plenária daquela noite. E assim ocorreu, de forma ordeira, na chamada Casa do Povo e com transmissão pela Rádio Nova Progresso e pela internet.
Naquela noite a Câmara de Vereadores viveu uma cena republicana. O motorista André Alex Moraes, representante dos garis, expôs na tribuna o drama dos trabalhadores com salários atrasados. Da plateia, lotada de cidadãos que sofrem com o acúmulo de lixo nas ruas, vieram aplausos aos garis, reconhecendo justiça na sua paralisação. O presidente Aurélio Schmidt foi além e propôs que no dia seguinte, quarta-feira (15), se fizesse um encontro entre os garis e o prefeito.
Assim ocorreu. O prefeito em exercício, Daniel Daudt, recebeu uma comissão dos garis, sindicalistas e vereadores. O mais importante é que os trabalhadores não estão sendo demonizados pelas autoridades e pela população. Eles relataram que buscarão na Justiça do Trabalho o pagamento de seus salários pela empresa contratante.

Prefeitura decretou emergência
Na quarta-feira (15), o prefeito em exercício decretou situação de emergência no município, pois a falta de coleta de lixo pela SL Ambiental acarreta, além do caos na limpeza, um impacto na saúde pública. A situação só não ficou pior por conta de uma operação de guerra da Prefeitura, que mobilizou durante a semana 12 caminhões-caçamba para recolher parte dos resíduos com funcionários municipais e cooperativas de catadores.
A Prefeitura lamenta a atitude da empresa, contratada em São Leopoldo desde 2004. O atual governo pagou a ela, desde 2013, mais de R$ 32 milhões. E ainda repactuou uma dívida do governo anterior, de R$ 22 milhões, cujas parcelas estão em dia. A SL Ambiental também descumpre decisão judicial que determina obrigatoriedade da prestação do serviço contratado com o município.
Por fim, o prefeito Daniel anunciou a normalização do recolhimento de lixo neste final de semana por meio da contratação emergencial de outra empresa, que pode operar por 180 dias. (Texto de Paulo Velinho)

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