Não se esconda…Nunca!

Postado por Ari Schneider  /   outubro 23, 2014  /   Postado em Coluna Pastor Rafael, Geral  /   Nenhum comentário

Jesus, certa vez, contou uma história que perturbou os seus ouvintes, quebrou para sempre alguns paradigmas religiosos. Ele disse que havia um certo fariseu que orava de maneira eloqüente. O conteúdo da sua oração revelava a sua integridade. Nela, ele dizia a Deus que jejuava, dava ofertas e fazia orações constantes. Na mesma história, ele contou que havia um pobre moribundo que mal conseguia falar com Deus. Ele olhava para o céu, batia no peito e pedia compaixão. Provavelmente, não dava ofertas para o templo, não orava com freqüência e não tinha um comportamento ético. Sentia-se um miserável diante de Deus.

Entretanto, para o espanto dos ouvintes, Jesus disse que sua oração não foi ouvida, não atingiu o coração do Criador. Por quê? Porque ele orava de si para si mesmo. Enquanto orava, ele se exaltava. Não procurava Deus no secreto do seu ser. Segundo Jesus, Deus olha para algo que quem está de fora não enxerga: para a consciência, a real intenção.

O fariseu achava-se um homem grande diante de Deus por causa da sua ética moral e religiosa. Mas não analisava seus erros, não enxergava que o coração que pulsa, o ar que respira, a mente que pensa eram dádivas divinas. Aos olhos do mestre dos mestres, Deus se importa com a consciência.

O miserável que não conseguiu sequer produzir uma oração lógica e digna tocou o coração de Deus. Ele não conseguiu fazer um grande discurso em sua oração, porque tinha consciência da sua pequenez, da sua falibilidade e da grandeza de Deus. O meu ponto aqui não é entrar nos assuntos que tangem à fé, mas mostrar um dos mais complexos treinamentos de Jesus. Ele treinou seus discípulos a ser fiéis à sua consciência.

Quem disfarça, dissimula e teatraliza seus comportamentos não tem parte com ele. Não é a quantidade de erros que determina a grandeza de um discípulo, mas sua capacidade de reconhecê-los. Uma pessoa podia ter mil defeitos, mas se tivesse a coragem de admiti-los, ela teria caminho.

Vivemos em sociedades que amam os disfarces e as máscaras sociais. As pessoas sorriem, mesmo solapadas pela tristeza; mantêm a aparência, mesmo que falidas; para os de fora são éticos, para os membros da família são carrascos. O sistema político simplesmente não sobrevive sem máscaras, disfarces e mentiras. Certa vez, o mestre da vida criticou os líderes religiosos comparando-os a sepulcros caiados. Por fora, têm belas pinturas, por dentro estão apodrecidos. Foi uma comparação corajosa, mas sincera. Muitos fariseus mantinham um comportamento religioso ilibado, mas, às ocultas, odiavam a ponto de matar.

No sermão do monte, Jesus disse que não bastava não matar, era necessário não se irar. Ele queria dizer que podemos não matar fisicamente, mas matamos interiormente. Muitos matam emocionalmente seus colegas de trabalho, seus amigos e, às vezes, até as pessoas que mais amam, quando elas os decepcionam.

Jesus aceitava todos os defeitos dos seus discípulos, mas não admitia que eles não fossem transparentes. Jesus ensinou-os a ser verdadeiros em toda e qualquer situação.

Queria conquistar e não destruir as pessoas. Atualmente, alguns dizem que são honestos, que sempre falam o que pensam. Mas, no fundo, são descontrolados, pois são agressivos, impulsivos, impõem o que pensam. Ao invés de conquistar as pessoas, eles as perdem. Jesus exalava serenidade, embora fosse verdadeiro, em algumas situações optava pelo silêncio. Somente num segundo momento, falava.

Não podemos ser controlados pelo que os outros pensam e falam de nós. Ser gentil, sim, mas se esconder, nunca. O homem que é infiel à sua própria consciência jamais quita a dívida consigo mesmo.

Os discípulos de Jesus tinham liberdade de falar com ele e expressar suas dúvidas. Eles foram treinados a ser fiéis à sua consciência e a ser simples como as pombas e prudentes como as serpentes . Deveriam saber o que falar e como falar, mas não se calar, nem diante de reis. Deveriam aprender a falar com segurança e sensibilidade, com ousadia e sabedoria. De nada adiantaria se eles conquistassem o mundo, mas não conquistassem a sua própria consciência.

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